“Só você não entende que nós fomos feitos um pro outro”
via ~ (fanfic Dormindo com o Inimigo)

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“Só você não entende que nós fomos feitos um pro outro”
via ~ (fanfic Dormindo com o Inimigo)
RAINY DAYS – Capítulo Quatro: “Echos & Pure Blood - Parte 1″
RAINY DAYS - Chapter Four: “Echos & Pure Blood - Parte 1”. Escrito por Locke.
“Seus gritos ecoavam na vastidão de sua mente e ninguém podia ouvir. Ele estava preso em sua solidão novamente e ninguém conseguia achá-lo. O sangue correndo em suas veias havia deixado de ser puro e sua inocência havia evaporado.”
•••
Ele sentiu-se vazio.
Ele sentiu-se sozinho. De novo. Como se a solidão que sempre sentiu não fosse suficiente.
Ele havia deixando sua raiva gritar mais alto.
E agora seu arrependimento escorria pelo rosto que refletia a luz da Lua.
Enquanto observava as estrelas inertes deslumbrantes a milhões de anos luz de sua mísera e inútil existência, ele se lembrava de Taylor incontáveis vezes. Um ato involuntário, mas ao mesmo tempo voluntário. Ele se recusava esquecer-se do rosto mais lindo que seus olhos já tiveram o privilégio de contemplar. Mas se recusava a lembrar da discussão mais tensa entre os dois desde o dia em que se conheceram. Naquela vasta solidão, seu coração batia mais forte a cada pensamento desejando o toque do amigo, a pele macia dele sobre a sua e seus cachos escuros perfeitamente caídos sobre seu rosto. Cogitou voltar para casa, mas repensou a ideia e decidiu descer do terraço do prédio em que estava há mais de vinte minutos.
As nuvens apareceram novamente e ameaçaram cobrir todo o brilho que aquela cidade medíocre já pôde enxergar. Kyle limpou o que pensou ser a última lágrima que escorreria pelo seu rosto naquela noite, dirigiu-se até as escadas ao lado do prédio e antes que começasse a descer os longos lances de escadas, suspirou fundo, tão profundamente que se sentiu desconfortável com o ar pesado invadindo seus pulmões.
Perambulou pelas ruas da cidade procurando um lugar aonde pudesse ficar. Sua busca pareceu eterna. Ele esbarrava nas pessoas, andava torto como se estivesse bêbado. Não havia nenhum lugar que quisesse ficar, por onde passava só via angustia e desconforto. Nada e ninguém o deixavam confortável naquela cidade, só existia uma honrosa exceção chamada Taylor, mas infelizmente ele não estava com Kyle. Seus passos pareciam lentos demais, a casa esquina sentia a sensação terrível da solidão ficando mais forte.
Não era o tipo de solidão que sempre o assombrou desde pequeno, causada pela ausência das pessoas que amava, principalmente quando a mãe atravessou uma bala contra a própria cabeça. Mas a solidão que o deixava desequilibrado era com certeza causada por Taylor. Tão rara como as estrelas brilhando sob Oldsttock, e ao mesmo tão destruidora quanto um terremoto. Kyle não conseguiu admitir, nem para ele mesmo, que havia sido aquela sensação de solidão que o fez sair do ônibus quando tentou abandonar a cidade. Não havia como ir embora e sentir para sempre aquela solidão desoladora.
Seu vacilo o fez quase ir ao chão ao não ver uma parte da calçada quebrada. Ele desequilibrou e se apoiou em um poste. Xingou em alta voz e se desequilibrou novamente encontrando a parede de um estabelecimento fechado.
Pingos de chuva começaram a cair sobre seu rosto e Kyle logo colocou seu capuz. Procurou um lugar que pudesse ficar para fugir da chuva. Entrou em um bar qualquer, no fundo de um beco úmido. Ao abrir a porta do bar, o cheiro de nicotina entrou nas narinas de Kyle. Sentou-se em um dos bancos do balcão amadeirado e apoiou a cabeça em sua mão direita, soltando um leve suspiro. Um barman – de barba negra e olhos castanhos expressivos, que aparentava estar preso ali há muito tempo – se aproximou e, como de costume, perguntou o que ele iria querer.
— Nada… — respondeu Kyle. Percebeu o olhar do barman que dizia claramente: “Se não vai beber nada, vaza daqui!” — Por enquanto.
O barman assentiu e foi para outro lado do bar.
Havia mulheres dançando no centro do bar, à frente delas havia um palco onde uma cantora descabelada cantava sobre desilusões e garrafas de uísque vazias. Isso soou tão familiar para o garoto em silêncio apoiado no balcão. Se sua mãe não estivesse morta, ele acreditaria que aquela mulher no palco fosse ela.
Havia homens que fingiam dançar com as mulheres só para aproveitar de suas fragilidades emocionais. Eles apertavam os seios delas violentamente causando um desconforto visível, mas eles continuavam sem pudor algum e por completo controle sob a vulnerabilidade delas. Maquiagens borradas com lágrimas que tinham gosto de vinagre queimavam enquanto corriam pelos rostos das mesmas. O clima no bar era pesado, desesperador, caótico, porém era silencioso.
“I was filled with pain and whiskey. But I still filled with hope that keeps burning inside my destroyed heart.”
Cantava a mulher no palco que era acompanhada por uma guitarra.
Kyle, por mais estranho que pareça, pôde entender as lágrimas derramadas por algumas almas isoladas nos cantos escuros do bar, mas ele já estava se afogando em suas próprias lágrimas, além de não fazer sentido algum para ele se importar com pessoas que não durariam mais de duas semanas.
O garoto passou mais alguns minutos observando a dor quase palpável do lugar, e ele sentiu-se pior a observar cada detalhe assombroso. Aquele bar se assemelhava a um livro – Kyle, pela primeira vez, lembrou-se de um livro que havia lido no último ano do ensino médio. – “Inferno” de Dante Alighieri, dado por um professor em depressão de meia idade. O livro, primeiro de outros dois livros, descrevia os cantos do inferno narrado por Dante, desde o mais raso e torturante ao mais profundo e perturbador.
Oldsttock se assemelhava ao próprio inferno para Kyle: As pessoas eram atormentadas por seus pecados e não conseguiam se desprender de seus pensamentos conturbados. A dor persistia correndo nas veias e os demônios estavam em qualquer esquina para lembrá-los de cada sentimento desolador. A cidade – também. – poderia ser uma representação da selva escura, a perdição do pecado. Ao entrar na selva, apenas aquele que usava a razão e se conciliava com seus pecados sairia de lá. Então ele raciocinou desta maneira para tentar assemelhar perfeitamente cada centímetro e cada alma daquele lugar ao livro.
O letreiro em rosa neon era o portal do inferno, advertindo claramente aos miseráveis ao cruzarem os portões: “Uma vez dentro, deve-se abandonar toda a esperança de rever o céu, pois de lá não se pode voltar”.
Kyle observou o lugar novamente… E então mais uma vez com calma. Assemelhou cuidadosamente cada pessoa com um canto do inferno. Cada parte significava o motivo pelas pessoas estarem ali. As mulheres dançando no centro do bar em frente ao palco representavam a luxúria, almas desfeitas pelo amor, aquelas almas que viveram para saciar suas necessidades sexuais. Os homens, muito deles já bêbados, eram os demônios que as atormentavam por terem desejado unicamente relações carnais. Aquela dor iria acompanhá-las pelo resto de seus dias – que para Kyle não seriam muitos. – Elas não aguentariam por muito tempo os assédios constantes e a falta de voz para denunciá-los. O que mais doía era não ter ninguém para ouvi-las gritar.
As pessoas isoladas nos cantos do bar podiam significar muitos cantos do Inferno. Era possível saber o porquê de cada pessoa isolada estar ali. Solidão e a covardia, a dura covardia daqueles que nunca conseguiram assumir algo inteiramente verdadeiro ou sempre estiveram às estreitas. Eles estavam destinados a uma corrida eterna – ou, como nessa representação de Kyle, incontáveis copos de cerveja barata ou uísque –, os violentos, também nos cantos escuros do bar, sofriam da sensação que Kyle detestava sentir: Solidão. Mas aqueles mereciam. Mereciam ser assombrados pela escuridão e pelo silêncio ensurdecedor. Ouviam seus gritos e viam suas falhas, seus pecados diante de seus olhos e nada podiam fazer para se redimirem com as pessoas que machucaram.
Os gananciosos, até agora os preferidos de Kyle, aqueles que jamais seriam capazes de esbanjar nada, pois estão contando os poucos centavos para ter mais um copo de cerveja, e não podiam esbanjar suas dores, pois eram egoístas demais para isso.
— Ei! — Kyle chamou a atenção do barman. Ele caminhou até o garoto e arqueou as sobrancelhas.
— Parece muito pensativo esta noite, garoto. — observou o barman.
— É meio estranho dizer o que sinto em relação a este bar. Parece-me familiar demais. Como se eu já tivesse…
— Vindo aqui? — interrompeu o barman. — Bem, se você for mais um qualquer nessa cidade, hm, com certeza já esteve aqui em algum momento da sua curta e, posso dizer, inútil existência. Digamos que cada um nesse bar, ou qualquer um em qualquer bar dessa cidade, está traçando o próprio caminho para o inferno.
— Algumas já estão no inferno. E não precisaram morrer para estarem aqui. — disse Kyle olhando de relance para os lados.
— Então eu sou o Caronte. — o barman riu e Kyle deu um sorriso ao perceber a clara referência ao livro que acabara de assemelhar com o estabelecimento.
— Acho que estou destinado a acabar como eles. — conformou-se o garoto. O barman olhou fixamente para Kyle.
— Pare de cavar o próprio túmulo quando se há muito para viver. — falou em um tom firme — Eu vejo em seus olhos que você pertence à outra alma.
— Me traga uma garrafa de uísque. — ordenou tentando ignorar o que o barman dizia.
O barman suspirou e deu cinco passos pelo pequeno espaço que usava para se locomover. Esticou o braço e pegou uma garrafa de uísque do fundo de uma prateleira. Uma empoeirada e com o líquido mais escuro que o comum para uma bebida tão requisitada pelos clientes… Pecadores.
— Não se preocupe. — disse Kyle — Eu sei o que estou fazendo.
— Eu estive esperando a minha vida toda para dar essa garrafa a alguém.
Kyle encarou o líquido escuro e questionou-se se era aquilo que queria fazer. O barman lhe entregou um copo e se afastou. Encheu o copo até o topo e engoliu seco antes de colocar a bebida em sua boca. Ele nunca havia provado nenhuma bebida alcoólica ou qualquer droga por completo rancor que tinha pela mãe. Mas ele precisava sentir sua garganta queimar. Tentou não pensar em nada. Mas ao virar o copo em seus lábios rosados, deixando o líquido tomar forma em sua boca, Kyle lembrou de Taylor e imediatamente cuspiu a bebida.
O barman olhou e sorriu.
Kyle limpou a boca e correu para fora do estabelecimento.
O barman pegou a garrafa e a colocou no lugar que estava minutos atrás.
Kyle sentiu-se péssimo ao sair do bar. Se arrependeu por ter entrado em um lugar tão infeliz como este.
Assim como alguém que entra na selva escura e consegue sair, Kyle havia usado a razão para sair de lá e sua única razão era Taylor. O garoto ajoelhou-se no chão já molhado e olhou para as nuvens que cobriam as estrelas. As gotas da chuva limparam seu corpo de toda a impureza externa que tal local lhe deu. Curvou a cabeça e fechou os olhos. Não havia motivos para olhar para um céu cinza que cobria todo o brilho que realmente importava.
Decidiu ir para casa. Era tão perturbante como o lugar que havia saído, mas ele já estava acostumado com o silêncio e a escuridão dos cômodos. Era seu lar apesar de tudo. Rezava em suspiros para Taylor estar lá a sua espera. O que seria improvável, mas ele mantinha uma faísca de esperança, a esperança – que não usava a tanto tempo que ele já havia esquecido que tinha uma –, em revê-lo. Kyle estava imaginando em como pedir desculpas ao amigo, diversas maneiras e sendo tão sincero como sempre tentou ser.
Ao entrar na casa, tudo estava escuro como havia deixado ao sair. O silêncio era o mesmo. Suspirou ao se conformar com a ausência já esperada de Taylor. Deitou-se no sofá e de todas as formas as memórias com o amigo de cachos vieram em sua mente. Uma lágrima transbordou de seus olhos claros. Permaneceu em silêncio.
Dormiu ali mesmo.
Acordou de um sonho normalmente estranho. Sonhos são estranhos. Principalmente se você está em uma estrada e há um revolver manchado de batom em suas mãos ensanguentadas. Ele soube o que aquele sonho queria lhe trazer memórias tristes sobre sua mãe e todo o sofrimento que o acompanhou durante esses anos. Ele apenas esfregou os olhos e levantou-se do sofá certificando-se que não iria mais pensar no sonho. Estava um pouco desequilibrado e cambaleou entre os móveis. Chutou a mesinha de centro com força por ela estar em seu caminho. Chutou o sofá por ele também estar em seu caminho. Chutou o abajur por ele ser fragilmente belo e velho… E estar em seu caminho.
Ele mesmo estranhou sua fúria naquele começo de tarde. Encostou sua cabeça na parede ao lado da escada e tentou se recompor. Tirou a roupa ainda molhada e a jogou no carpete de seu quarto. Abriu o armário, pegou uma camiseta preta que pertencia a Taylor e a cheirou profundamente para sentir a fragrância do amigo e então a vestiu. Kyle passou mais alguns segundos cheirando a camiseta de tecido fino. Era como se Taylor estivesse agarrado a ele, pois o cheiro ainda estava fortemente presente no tecido.
Kyle não conseguiu parar de cheirar a camiseta de Taylor e sentiu um desejo ainda maior pelo garoto. Tocou em seu membro já excitado e o estimulou enquanto a imagem do garoto se passava em sua mente. Seu coração batia mais forte enquanto se masturbava. Sentia a respiração ficar ofegante. Até que gozou e soltou um suspirou profundo e sentiu um prazer maior.
— Eu gostaria que não tivesse que fazer isso sozinho. — disse.
Ao final da tarde, quando o sol se escondeu atrás das árvores do bosque, Kyle respirou a brisa fina que passava pela janela. Não havia parado de lembrar-se de Taylor por um minuto sequer. Foi quando a brisa parou que Kyle decidiu ir atrás do amigo. Kyle precisava de Taylor como o inferno precisava de pecadores.
Kyle ainda se lembrava vagamente onde o amigo morava, apesar de ter ido lá apenas uma vez. Enxergou uma luz vinda do apartamento e entrou no prédio. O elevador não funcionava há um bom tempo e Kyle se viu obrigado a encarar as escadas que pareciam ser uma subida eterna ao céu! Mas aceitou o desafio. Ele subiu os lances de escadas no escuro porque o sensor de luz também não estava funcionando, o que o deixou mais irritado. Ele tentou não importar com os fatores que o deixavam irritado, eles não eram suficientes para fazê-lo desistir de chegar ao Paraíso.
E mais doze degraus foram suficientes para Kyle encostar-se à porta de emergência e respirar um pouco. Respirou e expirou o ar como sugou o cheiro de Taylor daquela camiseta. Deu dois passos largos até a porta de madeira velha do apartamento de Taylor, o 33, e bateu três vezes. A última batida demonstrou a ansiedade de Kyle para ver o amigo e pedir desculpas pela discussão da noite passada. Ele ainda estava com a camiseta do garoto de cachos que se recusou a tirar.
Ouviu passos se aproximarem da porta e a maçaneta virar após alguns segundos.
A porta se abriu. Kyle encarou o garoto que havia aberto a porta. Ele sorriu, mas não teve a reação esperada de Taylor. Kyle se aproximou do garoto de cachos que ainda o olhava fixamente escondendo o corpo atrás da porta. Sua mão segurava a porta na altura do pescoço e elas suavam.
— Eu precisava de você. — sussurrou Kyle tocando na mão de Taylor.
Taylor continuou calado como se ele não estivesse feliz com a presença de Kyle,porém seus olhos diziam o contrário. Apesar de estar chateado com Kyle, Taylor precisava da presença do amigo, mas se recusou a voltar para a casa dele. Ele não queria ficar sozinho no silêncio e na escuridão sem que Kyle estivesse lá.
Kyle estranhou o silêncio de Taylor, ele mordeu o lábio e franziu a testa esperando alguma reação do garoto. E nada. Aquele nada o destruiu.
— Taylor? — Kyle se aproximou mais de Taylor e não existia nenhuma distância entre eles. Só as palavras os separavam – ou a falta delas.
E não hesitou de trazer os lábios do amigo aos seus, e Taylor não hesitou em aceitar o beijo de Kyle. Ele puxou o garoto para fora e o encostou contra a parede. Kyle deixou que Taylor controlasse seu desejo por ele de uma forma prazerosa e aliviadora.
O garoto de cabelo castanho claro sugou a pele do pescoço de Taylor enquanto ele respirava ofegante.
— Eu precisava da sua alma. — sussurrou Taylor e continuou o beijo. — Por que eu aprendi a tê-la como minha.
— Você sempre soube me acalmar.
— E você sempre soube me amar.
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RAINY DAYS – Capítulo Um: Storms & Tremors.
RAINY DAYS - Chapter One: “Storms & Tremors”. Escrito por Locke.
“Eu era a tempestade que assustava os mares e afundava qualquer mísero navio a vista. Ele era o terremoto que assustava o concreto e derrubava qualquer estrutura em seu caminho.”
•••
Não era a melhor das noites, mas também não era a pior que ele havia vivido. Se envolver em conflitos na escola já era comum em seu cotidiano entediante, porém um conflito longe do lugar que conhecia era novo e extremamente excitante para ele.
•••
Sua fala muita vezes sarcástica e irônica levava aquelas raras pessoas que o dirigiam a palavra ficassem irritadas e desconfortáveis. Ele não ligava, aliás, ele adorava ver as pessoas revirando os olhos depois de terminar uma frase cheia de comentários maldosos que na maioria das vezes não chegava a ofender, apenas incomodar.
Kyle não era o tipo de garoto que ligava muito para amizades, quem dirá relacionamentos. Havia apenas uma pessoa que realmente era digna de sua amizade e de seus comentários sinceros, sem sarcasmo ou ironia na maioria das vezes. Esse era Taylor. Seu fiel companheiro desde que Kyle se entende por gente. A amizade começou tão cedo que nem eles se lembravam como se conheceram. Ambos compartilhavam tudo da vida turbulenta de final da adolescência. Mas Kyle odiava a vida que levava no interior de um dos estados mais esquecidos dos Estados Unidos. Seu amigo também compartilhava do mesmo sentimento. Os dois sempre quiseram partir daquela cidade na qual tinham horror e ir para aonde pertenciam: A um lugar aonde o caos existia, mas que eles pudessem reinar.
Aqueles garotos medianos no final dos dezoito anos sabiam sobre o que é ter o caos rondando suas vidas. Suas mentes viviam perturbadas. Apenas o desejavam como se aquilo corresse em suas veias desde o momento que viram a luz pela primeira vez. Kyle havia planejado todo o percurso para dar um adeus permanente ao local que sentia ânsia, porém Taylor tinha uma pulga atrás da orelha, como se soubesse que aquele desejo os levaria ao fundo de um poço do qual jamais sairiam.
— Você nunca saberá se não for comigo! — repetia pela segunda vez Kyle com um sorriso largo e esperançoso no rosto caucasiano. A brisa leve que batia naquela hora perto de um bosque totalmente proíbo – aonde ambos sempre se encontravam – balançava as mechas de seu cabelo castanho claro, quase um tímido loiro. Taylor engoliu seco. Uma voz que vinha das profundezas de seu pensamento gritava um “Sim!” desesperador, mas sua consciência, a parte mais sóbria daquela alma que ainda havia salvação clamava um “Não!”, um não tão doloroso que era palpável. Ele estava indeciso. Ver seu amigo, o seu único e verdadeiro amigo partir, tendo certeza que seu retorno era incerto, deixavam aquela alma incomodada. Taylor fechou seus olhos e novamente engoliu seco. A sua resposta estava na ponta da língua, mas não saia por mais que tentasse.
Kyle entendeu, vendo nos olhos escuros dele uma resposta negativa e aquilo era tudo o que ele precisava para seguir seu desejo imprudente. O garoto se levantou e desapareceu por entre as árvores.
Taylor queria o seguir, mas foi impedido pelo seu próprio eu. Da mesma profundeza da onde saiu àquele doloroso “Não”, havia outra voz que dizia que ele voltaria assim que percebesse o quanto o mundo poderia ser cruel, de um jeito que ele jamais imaginara. O caos seria seu pior inimigo. Se é que já não era. Mas Kyle o queria. Estava cego com o que acharia quando saísse da cidade, mas ele não queria enxergar novamente todas as situações perturbadoras que já viveu.
— Ele voltará. — sussurrou para si mesmo ainda sozinho em meio às árvores. A brisa que logo se tornou um vento forte, denunciando uma mudança de tempo o fez olhar para cima e sentir uma gota d’água cair sobre seu rosto. E então o garoto de cachos se levantou e seguiu seu longo caminho para casa. A resposta negativa que seus olhos haviam anunciado para seu amigo devia ser revogada, assim ele pensava enquanto caminhava em passos lentos pelas ruas barulhentas de Oldsttock. Assim que chegou ao apartamento em que morava, se dirigiu à janela para observar as pessoas na rua como sempre costumou fazer em dias de chuva. Absorveu todo aquele barulho de carros no rock calmo que vinha do apartamento do lado. “Puttin’ on my music to soak the noize while I watch the rain fall”.
A chuva começou fina após ele chegar ao apartamento. Depois de alguns minutos ela começou a ficar mais forte, e então havia se tornado uma tempestade em um piscar de olhos. Taylor adorava observar a chuva de sua janela. As gotas traçando sua rota pelo vidro até esbarrarem na borda da janela. Os trovões, raramente altos, eram os preferidos dele. Eram como os momentos em que se sentia completamente feliz, tão raro, mas tão profundo. Enquanto uns odiavam o incomodo que o som deles trazia, Taylor os adorava e passava horas os ouvindo deitado no conforto de sua cama.
O garoto de cachos e de rosto tímido, porém, com uma mente e atos que diziam ao contrário do que sua aparência mostrava, passou o dia pensando e repensando sobre Kyle. Ele não havia mandado uma mensagem sequer, nem ligado, nem aparecido para vê-lo pela última vez caso sua ideia realmente fosse para valer. Taylor pegou o celular com a tela rachada e checou a última vez que seu amigo havia entrado. Há oito horas. Ele suspirou e então, por mero impulso, foi correndo para a casa dele. Seu coração batia na esperança dele ainda estar lá sentado em sua cama esperando a hora certa de partir. Kyle odiava despedida e também odiava esperar. Odiava indecisões, mas o que ele podia falar a respeito do outros? Suas certezas eram indecisas e raramente conseguia conciliá-las.
Taylor finalmente havia chegado à casa de Kyle. Entrou sem tocar a campainha. Ele era íntimo o suficiente para entrar naquela casa sem apertar ou chamar por alguém. Até porque não havia ninguém naquela casa além da alma barulhenta de Kyle. Taylor subiu as escadas rapidamente e em passos incontrolados chegou ao quarto do amigo. Abriu a porta, mas ninguém estava lá. Não havia rastros dele. Sua cama estava bagunçada e seu armário vazio, com os cabides vazios e jogados por todo o quarto. Taylor fechou os olhos. Era tarde demais para se arrepender da resposta que foi dada à Kyle.
Desceu as escadas lentamente. Aparentemente não havia ninguém na casa. Estava escura e o silêncio era quebrado pelo som das gotas de chuva caindo no telhado e nas janelas. Ele se dirigiu para a cozinha e tomou um copo d’água. Observou novamente as gotas de chuvas pela porta que dava acesso à varanda e ao gramado mal cortado.
— Taylor? — ouviu uma voz abafada pronunciar seu nome. Ele se virou no mesmo instante. — O que você está fazendo aqui? — indagou Kyle. Taylor sentiu um alivio percorrer todo o seu corpo ao ver ele parado na sala de estar. Ele estava encharcado.
— Eu, eu me arrependi do que disse a você. Certamente eu não sabia o que realmente queria dizer. — explicou se aproximando do garoto molhado. As gotas caíam dos fios de cabelo dele e percorriam seu rosto lentamente. A falta de iluminação do local não impediu Taylor de olhar fixamente para os olhos claros e profundos de Kyle. Ele apreciou sua face molhada com alívio, um alívio que ainda corria pelas veias. — Por que você está todo molhado?
— Estava indo embora. Mas não consegui entrar no ônibus. Não consegui deixar para trás algo que nunca me abandonaria. A chuva não me perdoou. — disse ele tirando os fios de cabelo da testa. Logo depois, Kyle tirou o casaco e o jogou no chão. — Agora eu deveria estar fora dessa cidade miserável. Eu me sinto um tolo por ter seguido meu instinto… — falou Kyle diminuindo o tom de sua voz até que parasse de falar. Taylor entendeu que ele estava arrependido em dobro. Por querer sair da cidade sem ele e, agora, por não ter conseguido.
— Eu me sinto grato por tê-lo seguido. Não saberia o que fazer se você tivesse ido.
— Por quê? Você mesmo me disse que não queria ir comigo.
— Porém eu também não queria te deixar ir. — disse em um tom mais baixo que o de Kyle. Ele queria abraçá-lo, mas isso seria muito meloso, mesmo sabendo que o rapaz não estranharia seu ato.
Kyle subiu as escadas e foi para seu quarto. Taylor automaticamente o seguiu.
O de cabelos castanhos foi se despindo e jogando suas peças de roupa molhada no carpete bege. Taylor não se sentiu acanhado, não era a primeira vez que o via pelado. Também não era a primeira vez que ele o apreciava em segredo. Sua pele clara e seus músculos naturais. Kyle se virou e pegou sua mochila aonde havia socado suas roupas antes de sair de casa. Dentro dela tirou uma cueca e a vestiu. Taylor não conseguiu disfarçar seu olhar que expressava desejo ao amigo. Aquilo era seu segredo e ele se recusava a aceitar. Kyle o odiaria se soubesse, mas Taylor não estava apaixonado. Mesmo que ele fosse à única pessoa que se socializou na vida, não havia chegado ao ponto de se apaixonar perdidamente. Era apenas um desejo por ele. Um desejo carnal que não poderia ser suprido. Ou sim. Taylor nunca ousou perguntar sobre a sexualidade do amigo e o mesmo também não. Era um segredo, mas Taylor tinha quase certeza que ele não era homossexual. Ambos nunca falaram a respeito de garotas, nem garotos em um contexto sexual.
— O que você tem? — perguntou Kyle. Taylor se despertou do devaneio e olhou para ele. — Está muito calado! — comentou ele soltando uma risada pelo nariz e um sorriso sorrateiro.
— Apenas não sei o que dizer. Ao menos não agora.
— Pare com isso. — Kyle se jogou na cama de cueca.
— Com o quê?
— De me olhar desse jeito, como se quisesse algo. — Kyle ainda estava com seu sorriso malandro, mas não significou muita coisa para Taylor. E ele também não ficou preocupado com o que Kyle havia dito.
— Haha! O que eu poderia querer agora além de um café bem quente descendo pela minha garganta?
Kyle sentiu uma malícia naquela frase e quase ousou responder de uma forma mais maliciosa.
Ambos ficaram em silêncio. O som da chuva aumentou. O vento agitava as cortinas brutalmente, balançavam como as folhas de uma árvore com sua força.
— Talvez você devesse ficar aqui está noite. Acho que a chuva não dará uma trégua até o amanhecer. — sugeriu o garoto jogado na cama. — Aliás, dormir com o som da chuva é uma das coisas mais prazerosas das nossas vidas miseráveis.
— Terrível, mas eu tenho que concordar com você. É um prazer que não pode ser comprado.
— Quem sabe amanhã eu volte a procurar a adrenalina fora desse lugar.
— E quem sabe eu vá contigo. — falou Taylor, agora sentado no chão abaixo da janela. Ele não estava certo do que disse, mas era o melhor que poderia ter tido naquele momento. Kyle virou seu rosto para olhar seu amigo. Sorriu novamente e Taylor retribuiu o gesto. Novamente o silêncio prevaleceu no ambiente inóspito. Eles estavam aproveitando o som majestoso da chuva. Entre um minuto e outro, sons fortes de raios e trovões eram escutados. — Talvez você devesse sair desse carpete nojento com uma cor mais nojenta ainda e vir deitar nessa cama não tão confortável, porém, eu estou nela e isso a torna confortável o suficiente para nós dois. — disse Kyle soltando uma risada pelo nariz. Taylor riu e aceitou sem pensar duas vezes aquele convite tentador.
Ele tirou os sapatos ainda molhados e se ajeitou ao lado de seu amigo na cama de solteiro. Taylor não se permitiu pensar coisas maliciosas naquele momento, mesmo que fosse de certa forma, apropriado. Não viu nada demais em deitar ao lado do melhor amigo… Que estava de cueca… Molhado… E totalmente vulnerável.
Taylor se virou com dificuldade – uma cama tão pequena não os dava muita liberdade para escolher uma posição confortável – para poder olhar Kyle de olhos fechados. Ele estava com um semblante calmo, mas sua mente com certeza não estava. Taylor podia escutar o caos vindo da mente do garoto ao seu lado. Havia uma guerra dentro de seus pensamentos e ele estava no meio, sem armas e sem defesa. Era impossível resolvê-la. Tudo o que Kyle procurava era piorá-la cada vez mais. Sempre achou que se o caos que o envolvia aumentasse, ele finalmente acharia a paz em um lugar problemático. Ele se encontraria nesse lugar e queria buscá-lo o mais rápido que pudesse.
— Eu sei que você está me olhando. — disse Kyle, ainda de olhos fechados.
— Estou ouvindo o som perturbador que sai daqui de dentro. — Taylor levou seu dedo indicador direito para a cabeça dele. Kyle sorriu e abriu os olhos assim que sentiu o toque do amigo. — E só aumenta a cada instante.
— É o inferno brutal que sempre me acolheu. — disse tão baixo que pareceu um sussurro. — Estive o buscando para sentir a paz. E quis te levar junto como se você fizesse parte da merda que eu me tornei. Ou que tudo em volta me tornou. — Kyle fixou seus olhos no de Taylor — Não é hora de fazer papel de vítima, não é mesmo?
— Ninguém é a vítima nessa história. Nem mesmo você. Nem mesmo esse inferno dentro de sua cabeça. Nem mesmo esse lugar horrível de onde estivemos tentando fugir desde cedo.
— Você é um filosofo vindo das profundezas dos meus pensamentos mais perturbadores. Aonde nenhum ser humano ousou conhecer. Porém você ousou. — Kyle se aproximou de Taylor e com um tom baixo disse: — Você faz parte de mim agora.
— Eu faço parte de você assim como o caos que nasceu em seu sangue.
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Take me away- Fanfic
Take me away
"POV Zac
—ACORDAAAAAAAAAAAAA! SEU PREGUIÇOSO!- Quem foi o filho da mãe que foi o louco de vir me acordar?
Abro um dos olhos e vejo o idiota do Peter pulando em cima da cama tentando me acordar. Mas que droga, porque ele não me deixa dormir? Eu amo dormir, mas que tudo na vida, dormir é a primeira maravilha do mundo, e esse retardado mental vem me privar do meu sono de beleza.
—Você vai apanhar Peter!- ouço a voz do Jake ao fundo.
—ACOOOOOOOOORDA! ACORDAAAAAAA! AAAAAAAACORDA!- Peter continuou gritando, mas qual é o problema desse garoto?
—Cala a boca Peter, e me deixa dormir seu idiota!- reclamei enquanto colocava minha cabeça em baixo do travesseiro.
—ACORDA! ACORDA! ACORDA! ACORDA!- mas o idiota continuou pulando e gritando.
—EU DISSE PRA VOCÊ CALAR A BOCA!- gritei me sentando na cama e atacando o travesseiro com toda força no idiota do Peter, que caiu da cama box, fazendo o maior barulho.
—Eu disse que você ia apanhar!- Jake disse rindo de Peter.
—Você me machucou! Mimimimi!- Peter se ajoelhou de frente pra cama me encarando, tentando me fazer sentir pena dele.
—Porque não soltou sua teia, homem aranha?- perguntei cruzando os braços.
—Porque eu não estava preparado, fui pego de surpresa..."
Capitulo 2 postado, corram aqui >X< e leiam Take me away.
Se querem diversão em uma história estão no lugar certo.
Take me away possui 8 adolescentes prontos para curtir e viver cada segundo juntos intensamente.
Leiaaaaam *---*
Beijos,LittlePanda ;**
Sinopse: A vida nem sempre é do jeito que queremos, quando pequena costumava brincar com bonecas, usar vestidos rosas com babados, fitas, laços e ficava sonhando com o meu final feliz, igual aos contos de fada. Mas não foi bem isso que aconteceu, olhando através do vidro embaçado do carro eu vejo minha vida mudar novamente, mas desta vez não tem volta…