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(Fanservice) E-Eu te amo...
O garoto de madeixas azuladas se encontrava um pouco "desligado" da realidade que o rodeava naquele instante, e talvez demora-se mais que o correto para conseguir entender o que a garota havia dito para ele.
Encontrava-se de pé, diante da mais nova, com o seu ipod em mãos, revirando as músicas da playlist em um falso interesse. Depois de alguns minutos, sem encará-la, desviou os olhos violetas da tela do seu apetrecho e passou a encarar a garota.
A expressão de sempre estampada em sua face, porém, as maças de seu rosto encontravam-se extremamente vermelhas… Agora ele havia dado conta do que ela tinha dito. Os olhos se esbugalharam.
"Eu te amo"
Foi o que tinha saído da boca dela, ele tinha certeza, ele tinha ouvido. Permaneceu estático, com os olhos arregalados, o ipod em mãos, porém, sendo segurado com muito mais força. Ela sabia da opção sexual do mesmo, não sabia? Ele já tinha deixado claro a sua "não preferência" em relação a garotas. E porque, mesmo assim, ela tinha dito aquilo?
Talvez fosse um “eu te amo” de amigos, não é? Mas… Se fosse, ela não estaria tão corada, e nem tropeçando em suas próprias palavras. Então… Não era. Não era amizade, ou derivados da mesma.
Ele suspirou fundo, levou o apetrecho que manteve fixo em suas mãos a um dos bolsos de sua calça, guardando o mesmo lá. Voltou a encará-la um tempo depois, agora, ela tinha os olhos cabisbaixos, talvez um tanto arrependida de ter dito aquilo…
Alexy balançou a cabeça repetidas vezes, como se quisesse afastar algum pensamento, depois tomou um semblante sério novamente. E começou a pensar…
Pensar que se sentia "diferente" perto dela. Pensar nas vezes em que disse o quanto ela era seu tipo tratando-se de garotas, pensar que talvez…. Ela poderia mudar o seu conceito, a sua forma de pensar e de se relacionar.
Tentou formar algumas palavras, porém… Nada saia. Ele então curvou-se de forma que ficasse do mesmo tamanho da garota, as mãos pousaram no ombro da mais nova… Ela estremeceu.
Os lábios estavam a centímetros de distância, ele podia sentir a respiração descompassada da jovem bater contra seu rosto. Não demorou muito e ele finalmente quebrou a distância, unindo seus lábios aos dela.
Não importava se ele nunca tinha se interessado por uma garota, ela era diferente, ele sentia. Por ela… Ele poderia se arriscar, poderia tentar…Quem poderia garantir que essa tentativa, séria falha?
[Fan service] Caso a docete se declarasse para você qual seria sua reação? Você se declararia para ela também?
A chuva debruçava-se de forma impiedosa naquela noite, podia-se ouvir trovoadas, e ainda trazia consigo um vento frio e intenso, que poderia fazer tremer até a espinha. Quem em sã consciência se atreveria a abandonar o conforto de sua casa para se por a caminhar em uma noite chuvosa como aquela? A resposta mais obvia e aparentemente mais correta séria ninguém, mas para ele, sol ou chuva não fazia diferença.
Caminhava lentamente abaixo daquela chuva, os longos cabelos castanhos encontravam-se inteiramente molhados, assim como os trajes que utilizava. Para um ser comum, aquilo poderia significar uma vinda de resfriado, ou até mesmo algo mais sério, mas pra ele nada tinha diferença. Nem ao menos lembrava-se mais como se distinguir o frio do calor, o quente do gelado, quem dirá se preocupar com pegar um resfriado.
Continuara caminhando, perdido em seus pensamentos, como costumava fazer. A noite estava tranquila, nenhum sinal de vida fora detectado, a não ser, o barulho da chuva que caia com ferocidade sobre o chão.
— Dimitry!
Ouvira alguém chama-lo pelo nome, aquela voz… Era-lhe familiar, mas, não poderia ser ela, poderia? No mesmo instante ele virou-se afim de certifica-se de quem o chamara, como esperado, era ela.
Aquela que tinha roubado-lhe os pensamentos mais propiciosos, aquela que o fez se sentir bem novamente, aquela, que com simples gestos o fez se apaixonar perdidamente. Só com uma noite. Com poucas palavras. Aquela… Que o fez querer viver novamente, que o fez acreditar que algo no mundo ainda valia a pena, que conseguiu tapar o fundo buraco que havia dominado o seu coração.
Ele estava confuso. Não fazia ideia do que a garota estava fazendo ali, naquela situação. O fino vestido que a mesma usava não a protegeria de forma nenhuma, diferente dele, ela sentia frio, estaria sofrendo com a chuva, a merce de pegar alguma doença.
— [Docete]? — Respondeu-lhe, chamando-a pelo nome. Um sorriso de canto formou-se nos lábios da garota.
— Então, não era verdade? — Ela perguntou-lhe novamente.
Ele intrigou-se. O que não era verdade? Do que ela estaria falando? Diversas dúvidas surgiram em sua cabeça, e ele apenas acenou a cabeça freneticamente de forma negativa, não tinha a intenção de responder a pergunta da garota, afinal, nem sabia do que se tratava, apenas não acreditara no que ela estava fazendo.
Ele correu em direção a mesma, envolvendo-a em seus braços, as mãos dela estavam trémulas, e ela estava totalmente molhada, os dedos finos e delicados estavam engelhados, pelo longo contato que havia feito com a água da chuva, provavelmente para chegar até ali.
— N-Não era? — Ela repetiu, com a voz falha, e lágrimas começaram a descer de seus olhos.
Era difícil saber se ela estava realmente chorando, afinal, gotas de chuva também escorriam em sua face. Mas os olhos estavam avermelhados, parecia já ter chorado antes.
Ele desconhecia o real motivo daquelas lágrimas, mas de uma coisa tinha certeza, ela chorava por ele. Por ele. Não sabia que significava tanto para ela.
— D-Dimitry… — Tentou falar, mas a voz estava fraca. — E-Eu vim até aqui porque haviam dito que… Você estava morto.
Morto? Ele agora tivera começado a entender, o suicídio o boato do suicídio. Já tivera ouvido aquela história antes, mas não sabia que tivera chegado aos ouvidos da jovem envolvida em seus braços, e muito menos da tamanha importância que ele tinha para ela.
— Eu realmente significo algo para você? — Perguntou-lhe, sem dar muita importância ao boato.
— V-Você ainda tem dúvidas? E-Eu não conseguiria suportar a ideia de perder você.
Ele arregalou os olhos ao ouvir aquilo, então era recíproco? Tudo o que ele sentia por ela, era recíproco? Ela também sentia por ele? Era isso que ela estava querendo dizer com aquelas palavras? Mesmo não sendo tão direta?
Naquele momento, ele não conseguira descrever o que passava-se dentro dele, era uma sensação tão boa, ele sentia-se feliz. Mais feliz do que na noite em que a conheceu. Sentia-se bem de novo.
Sem pensar duas vezes, ele levou a mão desocupada até a nuca da garota, fazendo com o rosto dela ficasse tão próximo ao dele, que ele poderia sentir a respiração descompassada da mais nova, batendo contra seu rosto.
Então, sem esperar mais, rompeu a distância que os lábios dos dois mantiveram por tanto tempo, unindo os lábios da garota aos seus.
Naquele momento, não importavam-se com a chuva pesada, com o risco de pegar um “resfriado", com a realidade que os mesmos haviam deixa-do para trás. A única coisa que realmente importava, eram os dois, ali, naquele instante. O resto… Continuava sendo resto.
~fanservice~ Fica comigo hoje? :3
Dimitry ouvira atentamente o pedido da garota, da mesma forma que atentamente a encarava. As maçãs do rosto da garota encontravam-se avermelhadas, sintoma da timidez? Talvez. Naquela altura, ele tinha certeza de que ela estava sentindo o rosto esquentar… Sempre fora tão tímida.
Aos ouvidos do rapaz o pedido da garota havia soado algo tão inocente, sem nenhum pouco de maldade. Afinal, a sua forma angelical de agir só demonstrava isso… Inocência. Não que isto fosse algo ruim, passava-se longe, mas a deixava um tanto frágil, qualquer um poderia pensar em tirar proveito da situação.
Mais rapidamente cuidou de afastar aquele tipo de pensamento, não gostaria de imaginar alguém maltratando-a, ou coisa parecida. Não que ela fosse assim, tão indefesa, mas ainda tinha vontade de cuidar dela, de tê-la para ele, de protegê-la sempre…
Porém, com tudo, o "hoje" o incomodava. Não era o suficiente. Só ali, naquele instante? Era pouco, muito pouco. Ele gostava da presença dela, gostava de tê-la ao seu lado. Depois de analisar e reanalisar o pedido da mais nova, ele finalmente encontrou a resposta que buscava, que descrevia o que ele sentia.
Eu desejo ficar com você, mas só hoje? Não basta. Só agora? Não é o suficiente. Eu quero que você fique comigo, quero que seja minha pra sempre.