i wish i'd meet you earlier, i really like talking to you ; frank & raina (flashback, december 1977)
O simples estar na Inglaterra havia afetado Morjiana de uma maneira que ela nunca antes poderia ter imaginado acontecer. Nem mesmo estar em Durmstrang a mudara tanto quanto o novo país e a nova vida. Talvez por sentir que a escola era basicamente uma extensão de sua casa – as mesmas regras, a atmosfera rígida e a completa falta de afeto – mas a Inglaterra era completamente diferente. Já havia escutado inúmeras vezes sobre os ingleses e a sua falta de animosidade, mas perto das pessoas que conhecia no Leste Europeu... Bem, pode-se dizer que perto deles os ingleses eram as pessoas mais afetuosas existentes em todo o mundo. Havia deixado a Moldávia há pouco mais de quatro meses e nesse curto espaço de tempo conseguira se estabilizar em Londres sem problema algum. Nunca poderia ter imaginado conseguir tão facilmente um emprego como conseguira o seu como secretária do Sr. Gallagher no Escritório Internacional de Direito em Magia. As cartas diziam que ela conseguiria o que desejava no novo país, mas ela não esperava que fosse tão rápido.
Durante aqueles meses a jovem Gherman havia desenvolvido um hábito que apreciava bastante: o de pegar o trem e viajar pela Grã-Bretanha, conhecendo toda a extensão territorial como uma trouxa. Não possuía amigos fora do Ministério para conseguir uma companhia em suas pequenas viagens, por isso sempre estava sozinha em uma cabine do trem, olhando a paisagem pelo vidro ou aleatoriamente tirando as cartas.
Aquele fim de tarde de sábado não era diferente dos que tivera durante os últimos meses. Morjiana encontrava-se sozinha em uma cabine e ela nem ao menos sabia o destino do trem. Ao chegar ao guichê da estação havia pedido uma passagem apenas de ida ao próximo trem a sair de lá, nem quis saber para onde ele iria quando a simpática atendente quis confirmar. Quando estava viajando ela gostava de ser surpreendida, nem ao menos se importava se estava indo para algum lugar que já estivera antes, nenhuma viagem era a mesma feita por uma segunda vez. Nada na vida é o mesmo feito por uma segunda vez, algo sempre muda, seja o verde da vegetação que corre do lado de fora do trem conforme o mesmo avança pela estrada; seja a coloração do céu variando entre o azul claro e os tons de rosa e laranja do fim da tarde, sendo então substituídos pelo azul da noite; seja você e seu estado de espírito para receber aquela viagem.
O ato de procurar por seu baralho de tarot em sua bolsa era quase automático, Morjiana fazia isso há anos, sempre respondendo a um impulso desconhecido. Ela nem ao menos sentia a vontade vindo, apenas percebia o que havia feito depois de ter o embaralhado e tirado as cartas que repousavam sobre a mesa, esperando para serem abertas e revelarem tudo o que desejavam dizer para a jovem. Ainda embaralhava o tarot, conscientemente movendo as cartas rapidamente com suas mãos habilidosas quando sem aviso a porta de sua cabine abriu. Nada havia acontecido, o trem não tivera nenhum solavanco e uma corrente de ar não seria o suficiente para abrir a porta, ela não podia pensar em nada que justificasse o acontecido. A não ser a mão invisível do destino fazendo o seu papel.
E ela pode ter certeza de que o destino havia feito o que tinha que fazer quando ele parou à porta de sua cabine, olhando para dentro da mesma, talvez na esperança de encontra-la vazia. Antes que ele fosse embora, Morjiana sem nem ao menos perceber deixou de embaralhar o tarot e estendeu sua mão com as cartas para ele. “Escolha uma.” Falou sorrindo para o estranho parado no corredor do trem.













