O problema da tensão é que, na maior parte das vezes, ela é puramente imaginação.
Ela só se resolve com o desmonte da cena que você mesmo montou.
Depois de tudo, você olha para trás e pensa:
“Não precisava daquela tragédia.”
Todas as vertentes que levaram até lá — inclusive o empenho biológico do corpo inteiro, quase pedindo um remedinho — foram criadas por você.
Impressiona-me a nossa capacidade quase shakespeariana de, do nada, criar cenários inteiros, entrar paulatinamente em cena, sofrer, chorar, sorrir… tudo tão bem romanceado.
No fim, o epílogo é sempre a realidade.
E vem o desmonte silencioso de tudo.
Então você pode dormir tranquilo.
Porque até os sonhos podem ser contaminados pelo nada da sua própria imaginação.
Folhas secas de outono, que caem para dar passagem à luz.