A vida como atriz era algo que Angela admirava, as peças que tinha que fazer durante o mês era o que lhe rendia felicidade e certa verba extra. Interpretar, viver personagens novos e explorar cada canto da sétima arte era algo que a instigava a manter-se ali, era uma sensação de liberdade indescritível que a tirava dos pensamentos sobrios da sua vida. Tinha recebido o papel que estava esperando há dias, o de uma garota que era ajudante de um homem importante em New York e logo se apaixonariam.
— De novo?
— Sim. Ela é uma personagem forte e... Nossa, vai ser magnífico!
— Por que não me disse? Quem vai ser o par dela? Amanhã mesmo eu vou fazer os testes, ou comprar o papel. Enfim, sabe sobre isso?
— Bem... Ela... Vai ficar com o Roward e o papel já foi pego.
O olhar no rosto dele a fez sentir um pequeno arrepio na espinha, ele não estava triste, estava decepcionado. Ela sempre avisava quando faria uma personagem nova, assim ele poderia ser seu par nas peças, além de um bom advogado, Ansel era um ótimo ator e sempre dava um jeito de ser o par de Angela nas peças. Seja comprando o papel ou passando nos testes de primeira, as pessoas viam a química que aquele casal tinha e era incrível o quanto se davam bem em cena, era como se realmente encarnassem o personagem.
— Entendi.
— O que foi? Você está bravo?
— Eu estou OK. Vou dar uma saída, depois nos falamos. Tenho alguns assuntos para resolver.
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Beatrice : Ele não está falando com você?
Angel : Não.
Beatrice : Na minha opinião, eu acho que você não deveria ter dito nada pra ele, Angie. Parece que você fez de propósito, você sabe que ele é cabeça quente.
Angel : Mas não vou parar de falar com o meu amigo por isso, o Danny é respeitoso, óbvio que ele não vai fazer nada contra a minha vontade. E Ansel deixou claro que se eu não contasse ia ser bem pior, ele fica paranóico algumas vezes
Beatrice : E sobre a peça?
Angel : Ele disse que iria deixar, mas sei que fica irritado com essas coisas. Ele sempre está irritado. Não sei mais se está dando certo. Amanhã ele vai viajar para Paris à trabalho...
Beatrice : Talvez o fato de estarem afastados por esse tempo o faça lembrar do quanto se amam.
Angel : Espero que sim.
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A viagem para Paris durou mais que quatro dias, eles estavam se falando normalmente naquele tempo. Era bom, ela estava fazendo suas peças, planejando a floricultura e ele estava na França cuidando de suas coisas. Até que na noite seguinte, Ansel fez uma chamada de vídeo depois de vários pedidos da mulher. Ela sempre implorava por um pouco mais de proximidade e atenção, não tinha certeza se aquilo deveria acontecer em um relacionamento, mas preferiu evitar outra briga ao mencionar aquele fato. Quando a imagem apareceu na tela do celular, um sorriso gigante apareceu nos lábios da menina, mas percebeu que o dedo dele ainda estava inflamado por ter aquela maldita mania de roer as unhas.
— Amor! Oi!
— Oi, amor. — Ele respondeu de forma mais seca, como sempre. Mas ela sempre podia sentir carinho nas palavras que ele dizia.
— Como está tudo aí? Quando vai voltar?
— Amanhã. Terminei as coisas aqui e logo estarei de volta, a Beatrice está aqui, sabia? Num quarto ao lado do meu. Foi bom ver um rosto conhecido aqui, principalmente no café da manhã, a maioria aqui mal fala inglês e ela me ajudou bastante. E aí? Está tudo bem?
Ela sabia que Beatrice estava lá para algumas pesquisas, mas não sabia que a moça tinha ficado hospedada no mesmo hotel que seu noivo. Descobriu aquilo quando a mesma postou uma foto do homem com um gatinho na rua. Eles estavam saindo juntos? Por que estavam tão próximos? Nem sabia que tinham virado amigos. O sorriso que antes estava grande nos lábios da bruxa foi desaparecendo até se tornar apenas um sorriso comum, um sorriso educado.
— Está tudo bem, tenho algumas cenas para revisar, mas está tudo certo. Ah, eu falei com o doutor sobre o seu dedo, ele disse pra você passar aquela pomada que eu te disse ontem.
— Por que você foi atrás de um doutor, Angela? — Ela percebeu uma das sobrancelhas dele sendo arqueadas — Você nem está aqui.
Ela não teve muito o que fazer naquele momento além de ficar estática com a resposta que tinha recebido do noivo, foi como se ele tivesse a socado através da tela. Ele sempre era grosso, mas não tão grosso ao ponto de falar aquele tipo de coisa. As coisas tinham mudado tanto assim? Onde estava o antigo Ansel? Se é que houve algum “Antigo Ansel”
— Então, eu vou dormir. Amanhã a gente se fala.
— Tudo bem. Tchau. E a chamada de vídeo foi encerrada.













