A verdadeira flor lunar não é branca, com olhos cinzentos e vestes leves. Ela usa roupas pesadas, normalmente escuras; às vezes rasgadas, às vezes curtas. Tem uma cachoeira de cachos e grandes orbes castanhas. É sempre risonha e alegre, com uma aura colorida e festiva a sua volta. Possui um dos maiores carismas que já tive o prazer em contemplar, e quando triste, me fez ter o maior desprazer em presenciar momentos de angustias que consomem quaisquer que sejam os elementos à sua volta.
A flor lunar se chama assim pois tem o dom de florescer em meio aos resíduos e detritos deixados por ignorantes e pessimistas. A flor lunar é flor, é amor, é vida. E vida quer dizer alicerce de paixão. Não se acha flores lunares por aí com tanta frequência assim. Então, a que conheço, preservo, rego. Não a possuo, porque vida também quer dizer liberdade, e a flor em questão tem a total liberdade de florescer para quem mais quiser e bem entender.
A minha flor não é, na verdade, minha, nem de ninguém mais. É dela própria, e somente dela. Não é um objeto ou derivados. É uma raridade, é ópio, é pureza. Talvez você não veja, mas flores lunares estão por aí, ao redor, à espreita, aguardando alguém as reconfortá-las.
Por isso, nunca deixa a sua flor lunar escapar. Eu estou fazendo com que a minha nunca escape. Mas se ela bem entender, eu entenderei, afinal, ela é livre. E é isso que a faz especial.