Seus olhos são um buquê de constelações, teu olhar, é um universo do avesso encravado nas vísceras de uma bruxa. Não há idiomas ou dimensões que os façam caber, não há horizontes. Contemplar seus olhos é mergulhar numa turva epilepsia; oceânica, incerta, é um céu de se afogar ajoelhado. A as esmeraldas negras em seus cílios são telas irreais da loucura dos anjos, e a loucura foi perfume feito no seu eclipse de desejo. Seus olhos modelaram o cosmo em suas insônias ociosas. Cada estrela abraça-te o riso com a força do morrer. As suas pálpebras, meu bem, são plumas mortíferas que cobrem a noite. Não te sinto como outono à chorar folhas de memórias. Você me vem como a sensação de primavera assídua, floreando todo tempo entre uma coisa e outra. A sensação de te ver assim, à queima-roupa, é vender a alma pro acaso, esquecer do fôlego seco, ser verso, tinta e papel. É perder as asas no se apaixonar por um abismo.
F. Maximo
















