Human, for a minute
Às vezes as palavras já estão aqui e só falta dar ritmo a elas. O som das palavras também importa, não pouco, o que eu escrevo e o ato de ler ou falar estão profundamente conectadas a como as palavras soam juntas. Numa frase. Eu escrevo como se fosse música e preciso de música para escrever.
Mas não consigo escrever música. Isso me incomoda um pouco ou incomodava. Incomoda. Não conseguir trazer a música de dentro para o mundo me incomoda e muito. Quase me impede de viver. Viver sem escrever não é viver. Viver sem música não é viver.
E quando perco a habilidade de escrever é como se perdesse a vida. Papel e caneta na mão para manter os pés no chão. Eu só preciso das palavras e que elas sejam minhas. Que sejam tão minhas que só eu tenha força para escrevê-las. Que elas surjam com todo ódio e paixão, ou não, que venham com força. Que sejam tão sujas quanto o pecado, que eu me arrependa. Que me lembrem que escrever é a única coisa que eu sei fazer, e nem isso eu sei. Eu só sei escrever e escrever também não sei.
Por isso preciso de música. Música não deixa parar depois do arrependimento. Ela vai até o final. Sem música, isso aqui nem teria título. Nem som, nem letra, nem parágrafo e ponto final. Porque eu, sem música, não existiria.













