Normalmente não sou muito vocal em público. Apesar de eu compartilhar minhas indignações em particular, a maioria das conversas permanecem rasas. Sou brasileiro, filho mestiço de um imigrante taiwanês. Nasci privilegiado racial e financeiramente. Cresci em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira com Argentina e Paraguai. Um importante polo turístico do Brasil, não só é lar das maiores cataratas do mundo, como também possui prósperas comunidades asiáticas e árabes. Minha criação não foi diversa e multicultural somente por virtude da minha própria família, ela foi tal por conta de onde vivíamos e com quem interagíamos. No entanto, olhando o passado percebo que apesar das nossas próprias circunstâncias, ainda assim fizemos parte dos problemas estruturais que existem no nosso país, e da contínua marginalização dos negros. Desde que me mudei do Brasil, eu tenho tido que enfrentar questões de diferentes magnitudes. Tive que me reavaliar enquanto imigrante, latino, asiático, pessoa de cor, e aliado de pessoas negras. Para compreender como me posicionar e saber a quem apoiar não somente no meu país de origem, mas nos outros países nos quais morei, incluindo os Estados Unidos. No momento é difícil não estabelecer paralelos entre as realidades racistas e fascistas do Brasil e Estados Unidos; não ver as semelhanças entre as retóricas odiosas de ambos os presidentes e a violência perpetrada pelas forças policias dos nossos países. Não posso permanecer calado, porque se eu estivesse em um destes países, eu também estaria protestando. Contra o racismo, a violência policial, o assassinato indiscriminado de pessoas negras, a erosão das nossas instituições públicas, o ataque à liberdade de imprensa, governos que afinal estão por falhar com todos nós. Doe você também ao Fundo Baobá: https://baoba.org.br/ #vidasnegrasimportam #fogonosracistas #fogonosfascistas (at São Paulo, Brazil) https://www.instagram.com/p/CA_oecgKTNV/?igshid=1rd5on8v8cmek