Adeus querido mestre Francisco Costa
Um dos últimos trabalhos publicados de nosso querido Professor Francisco Costa. Um grande mestre, poeta e ativista político que não mediu esforços em toda a sua generosidade, nesta luta por vezes tão inglória em defesa da emancipação de nosso povo brasileiro. Certamente, Professor Francisco deixa órfãos milhares de leitores que, como este que escreve, beberam na fonte de sua sabedoria, de sua verve saborosa, de sua poesia e do seu pensamento antenado, crítico e consistente. Ainda que este momento nos inspire a busca de paz e serenidade, fica difícil não lembrar da citação de outro grande mestre, Eduardo Galeano: Nós perdemos mais um brilhante professor, amigo e companheiro “y en cambio, estos hijos de puta, en contra partida, esos que se dedican a atormentar a la humanidad, viven vidas larguísimas, esos no se mueren nunca…” Aldo Della Monica “DIALÉTICA DO SÓ Pouco para mim em mim, Reinvento-me inusitado E novo, diferente, sempre. Se ontem chorei Amanhã sorrirei, Escondendo as lágrimas Expondo-me todo dentes Na consecução do sorriso. Sou assim, metamorfose, Mudança, coisa nova Em permanente Transmutação. Se me morro sozinho, Anônimo, quase indigente, Ressurjo coletivo, muitos Na dor de toda a gente, Incomodando soldados, A realeza, o presidente. Eu não me queria assim, Muitos e multifacetado, Anciã criança envelhecida, Adolescendo curiosidades E amadurecendo sonhos. Há em mim a impertinência Do que não se cabe só, e Por isso a minha comunhão Com o que em mim sobra E a mendicância explícita Do que em mim falta. Volátil e viscoso, etéreo, Defino-me e definho-me Entre vermes e borboletas. Entre os versos que não quis E a realidade que não quero Anuncio-me impotência Parasitando a espera. Conforta-me saber espelho, Reflexo, imagem, duplo Do que em mim não está, Mas que, como eu, mudará. Se hoje digo o povo dorme É porque amanhã acordará. Francisco Costa Rio, 27/06/2018″
Professor Francisco Costa + 02/07/2018 Read the full article














