Não é insônia quando se quer dormir, certo? Deveria ser chamada de "síndrome da avaliação tardia de sentimentos próprios".
É uma tortura silenciosa não conseguir controlar o que passa dentro da própria cabeça, não é?! Cá estou, em plena madrugada, refletindo sobre coisas que nunca foram.
Concluí, depois de muito pensar, que não sirvo pro amor. Sempre idealizei uma coisa simples, básica e sólida. Uma coisa leve e principalmente, alegre. Afinal, eu amo rir.
Aos 28 anos, me apaixonei pouquíssimas vezes (fora meu amor platônico e eterno pelo Jacob). O número exato é 3, ou 4 se você for contabilizar alguém mais de uma vez.
Tive 2 relacionamentos, que juntos representam quase 10 anos da minha existência (calcular é chocante).
O fato é que, em absolutamente todas as vezes, me decepcionei.
O primeiro sentimento de perda foi ainda na adolescência, então não soube definir muito bem o que era e como deveria me sentir, não sabia se aquilo era realmente relevante (poucas coisas são aos 15).
O segundo foi um pouco mais velha, aos 18 eu soube identificar um incomodo sentimental. Mas ainda assim, falhei no diálogo e na tentativa de resolução. Apenas senti até que não fosse mais sustentável continuar sentindo e decidi pôr um ponto final no meu incômodo. Mesmo que isso custasse a minha paixão.
O terceiro foi muito tempo depois e ao contrário do que se esperava, eu não estava mais experiente. Apenas era mais velha. Não fui capaz de ver além do meu sentimento até que isso tivesse me tirado de mim. Após quase 8 anos, já não era nada do que idealizei como amor e principalmente do que era no início. Era pesado, triste, unilateral e sem saída. Eu já havia perdido a vontade de viver, meu amor próprio e minha alegria. Me sentia sempre ansiosa, correndo... Em vão e sozinha.
Até que algo mudou.
Você voltou. Era como se o tempo não tivesse passado. Como se você possuísse o meu manual. Sabia o botão exato e sua reação. Foi amigo, confidente, apoio e carinho. Você foi tão carinho!
Eu já não tinha pressa. Só esperança. Me senti feliz, cativada e pasme, amada. Talvez tenha sido minha mente perturbada mesmo, mas eu realmente me senti amada. E esperaria por você o tempo que fosse e em qualquer condição.
Mas então, veio a quarta decepção. Ou a finalização da primeira. Como preferir. Lembro de uma vez ter tido uma conversa com você em relação a outras pessoas, porque pra mim era questão de tempo você encontrar alguém (rs). Mas a minha maior recordação é você dizendo "prefiro que você saia e até tenha liberdade pra me contar caso encontre alguém legal". Aquilo foi tão ofensivo! Sempre fui muito fiel aos meus sentimentos, acredito que sempre serei. Afinal, eu já tinha o meu "alguém legal", era só resolvermos a distância! Lembro de responder tranquilamente "mas eu não quero".
Enfim, esse enredo todo era só para contextualizar o meu porquê. Antes, eu não queria por achar que já possuía o "alguém legal". Agora, continuo não querendo. Mas hoje, por saber que esse "alguém" não existe.
Foi infantilidade romantizar um reencontro, acreditar num encontro de pares. Nas voltas do destino. Nos planos do universo. Foi ingenuidade ver tanto onde talvez nem fosse. Acreditar que seria possível. Que era pra ser.
Hoje sei que não vou mais me permitir passar por isso de novo. Vejo cada novo tijolo que é posto em meu próprio muro. Vejo como me sinto e como reajo quando alguém tenta se aproximar (e agradeço por isso nos dias bons, já sei o que mais dia/menos dia iria acontecer).
Mas por alguma razão, quando tudo está bem, em um dia qualquer, em um horário aleatório, me vem uma lembrança, uma situação... Me trazendo você.
Assombrada pela presença constante de um fantasma autoimposto.
Amor é sorte. E eu, que nunca me aproximei de ninguém sem sentimentos, definitivamente não sirvo pro jogo.












