É hora de vos falar de outras personagens deste disco novo. O Giles Perring chegou aqui por causa do Carlos Seixas. O Carlos é uma dessas personagens misteriosas que está na origem desta narrativa. Foi ele que me empurrou delicadamente para o risco e me incentivou a fazer esta viagem. Foi ele que me falou de Jura pela primeira vez. Foi ele que me apresento ao Giles e apresentou o Giles ao meu trabalho.
Conheci o Giles durante a última tour que fiz na Alemanha. Foi lá que acertámos os ponteiros e começámos, efectivamente, a trabalhar juntos. Ele vive em Jura mas cresceu em Cornwall, que mais tarde, entre as primeiras conversas, vim a saber que esta península colada a Ingraterra é considerada uma das nações celtas. Na verdade, recordo que a primeira conversa que tive com o Giles foi acerca das identidades nacionais, as línguas moribundas, as línguas dominadoras, Escócia (Yes!), Inglaterra, Reino Unido e as complexas identidades angolanas (em construção, digo eu).
O Giles é um homem culto e sensível, que olha para a música com olhos de fotógrafo, com mãos de escultor, ou seja, sem excluir as outras disciplinas artísticas, dotado desse maravilhoso sentido crítico e analítico dos anglófonos. :) Gostei dele instantaneamente. Gostei de não partilharmos as mesmas referências musicais, de virmos de latitudes opostas. E com a primeira reunião, durante uma longa viagem de carro entre Karlshure e Bremen, fiquei convencida de que o queria a bordo. E ele também ficou convencido.
Desde a vinda dele a Lisboa que temos falado quase diariamente, acertando a agenda de Jura, decidindo sobre os músicos que nos irão visitar à ilha, quando e, sempre, “porquê”. Porque nada será por acaso aqui.
Curiosamente, acho que foi durante a estadia dele cá em Lisboa, depois de lhe falar deste Caderno e das coisas que decidi partilhar neste espaço, que ele mesmo se convenceu de que valia a pena escrever um blog. Convido-vos, portanto, a passarem por lá, com a limitação de que está em inglês. Vai ser engraçado acompanhar as duas perspectivas, deste lado e daquele.
Visitem o tumblr do Giles Perring aqui: http://budeboy.tumblr.com/
Enquanto isso, o tempo passa.