✍: For what my muse has written about yours in their diary
13 de março de 2007.
Querido diário,
Hoje trombei com ninguém mais, ninguém menos que Von der Rosen pelos corredores. Discutimos, é claro, como já era de se esperar. Mas algo no olhar dela me fez lembrar de nosso passado, dos anos que fomos amigas, e um aperto bem incômodo se apossou do meu coração.
Eu nunca entendi bem o porquê de Elizabeth ser tão ciumenta. Desde o começo de nossa amizade, essa criaturinha infame chamada “ciúmes” estava lá, atormentando como ninguém. Ela tinha ciúmes de minhas amigas e amigos, e por diversas vezes brigávamos por isso. Acho que ela só tinha medo de me perder, afinal. Quando eu fiquei com Harry a primeira vez, bem… Ela surtou. Não queria nos ver juntos, de jeito algum, e eu respeitei isso, afinal, ele não era tão importante assim para mim. E como tinha acabado de perder Angelique pelo mesmo motivo, preferi não arriscar.
E então veio o namoro. Finalmente entendi o porquê ela não queria me ver com ele: ela queria estar com ele. E eu até gostei disso. Os dois eram meus amigos, muito próximos aliás, e eu ficava feliz em vê-los felizes. Mas Lisbee não gostava disso. Mais uma vez, o ciúme insano tomou conta dela. Ela não aguentava me ver perto de Harry — o que era absurdo, já que éramos apenas amigos — e quase todos os dias brigávamos por isso. Eu já estava cheia. E então, em uma de nossas terríveis discussões, eu falei o que não devia. “Você sabe por que odeia me ver com ele, não sabe?”, perguntei, aos berros. “ Porque você se sente insegura. Você sabe que ele te trocaria por mim em um piscar de olhos. Você sabe que eu sou melhor que você em tudo, e nisso não seria diferente. Vamos, admita!” e… Aquela foi a gota d’água. Foi necessário o auxílio de um professor para separar a briga que veio a seguir, e foi assim que uma amizade de anos foi desfeita em alguns segundos.
Às vezes, eu ainda sinto falta dela. Mas sou orgulhosa demais para pedir desculpas, porque a conheço o suficiente para saber que ela não as aceitaria. Eu me arrependo de ter feito o que fiz, mas foi melhor assim. Tudo só piorou quando eles terminaram e eu e Harry começamos a nossa amizade colorida. Ela não resiste a me trombar pelos corredores ou atirar indiretas quando pode. E eu, claro, não posso sair por baixo. Talvez um dia consigamos nos acertar, mas seria necessário um problema muito grande para nos unir. Mesmo que atiremos farpas uma na outra e discursemos para quem quiser ouvir sobre o quanto nos odiamos, no fundo, eu sei que isso não passa de uma defesa tola para que nós não possamos nos machucar mais. Mas se ela precisasse, eu não conseguiria negar ajuda. E acredito que ela sinta o mesmo. Pelo menos, espero que sim.
(…)












