receiving handwritten notes from kiwoon — a flashback.
nuri estava longe de ser a pessoa mais popular do instituto, mas com certeza não era alguém sozinho. pelo menos não no quesito amigos — e no último mês, não mais no quesito romântico. trocava palavras soltas com um número considerável de pessoas quando o assunto se transformou, trazendo para o grupo risadinhas divertidas e provocações envolvendo seu nome; naquele ponto, já havia tomado certa consciência em relação ao que viria em seguida. ‘bang kiwoon’... nome doce de se dizer, não? o rapaz de olhinhos peculiares marchava em sua direção, e o que antes se distraía acomodando o uniforme no corpo que agora ganhava músculos e tornava o tecido apertado, agora virava o corpo na direção do rapazinho afim de recebê-lo na roda. não havia uma pessoa entre seus amigos que não gostasse de kiwoon (ao menos que fosse de seu conhecimento, não tinha), e até dava para compreender... não era todo dia que alguém fazia com que elefantes de patins tombassem e rolassem no âmago de nuri, inchando os pulmões e palpitando o coração antes quiescente. diferente do esperado, kiwoon não ficou ali o fazendo companhia; deixou um papel dobrado e foi embora, abandonando um mutante confuso.
dedinhos curtos e curiosos dedilharam a folha dobrada como se quisesse conhecê-la, ainda que houvesse curiosidade demais e mantê-la naquele estado exigisse paciência. não conseguiu acenar como um adeus para os colegas, foi eventualmente caminhando de costas até que o corpo encontrasse alguma parede para que pudesse dramaticamente escorregar até o piso gelado da instituição. ficou ali, encolhidinho enquanto encarava o papel; brincou com o bilhetinho old school entre as mãos tantas vezes antes de abrir que este exalou perfume, e seria mentira dizer que não reconhecia o cheiro doce. sorriu sozinho, e logo evoluiu para uma risada idiota de gente apaixonada. foram mais ou menos três minutos até finalmente desdobrar, cuidadosamente revelando a letra redondinha que enfeitava o papel de carta. ‘ai, que bobice...’ disse pro nada, tentando convencer a si mesmo que não gostava daquilo. sua mente não era capaz de aceitar tantos sentimentos bons ao mesmo tempo; quase como um mecanismo de defesa, debochava mentalmente da situação como maneira a ignorar o nariz que ardia. nunca havia recebido uma cartinha antes... nem de amigos, nem de um interesse romântico. não havia tido muitos, mas nenhum deles se importou em escrever parágrafos doces envoltos por desenhos de coração.
como ignorar bang kiwoon? talvez não desse mais tempo de voltar atrás. não tinha mais como desconsiderar ou procrastinar a fala de seus sentimentos. não era bom aquelas coisinhas românticas, mas sabia de seus próprios pensamentos e talvez fosse o suficiente. foi com esse pensamento que decidiu correr contra o tempo — mais precisamente contra os seis minutos contados que tinha para entrar em treino — e ir atrás de kiwoon. precisava usar daquela coragem e vontade de viver agora, ou continuaria a protelar aquele momento.
“ô, porra! onde é que você estava, paboya?” as mãos estavam presas no próprio quadril enquanto nuri quase vomitava os pulmões ali, bem na frente de sua paixãozinha adolescente aos 21. “‘cê sabe o quanto que eu corri por esse inferno pra chegar em você, pra você estar quase do meu lado esse tempo todo?” soltou o ar pela boca, ajeitando a postura antes de olhar no relógio em seu pulso. dois minutos e meio. dava tempo de muita coisa em dois minutos e meio. agarrou o braço magrelo do molequinho sem aviso prévio, o arrastando para atrás de qualquer divisão que os impedisse de serem vistos pela maioria — e que pudesse colocá-lo contra, é claro. “se tivesse te achado antes, teria mais tempo” pontuou, reclamão como era. “então vou resumir: eu te acho muito fofo, sua letra é linda, os corações ficaram muito gays e adoráveis— deixa eu ver, ‘tô tentando lembrar de tudo que queria falar...” enquanto uma das palmas sustentava o próprio peso, espalmada ao lado do rosto perfeito de kiwoon, a outra contava nos dedos curtos todas as coisas que queria dizer — e olhar para as próprias mãos o fez lembrar de mais tópicos que haviam sido abordados na carta. “ah, é! por que teria medo de seus olhos se me encontro neles?” retorceu o rosto em uma expressão galante, que logo deu lugar ao sorriso de olhos espremidos. “gosto dos seus beijos apressados. e dos calmos. gosto de você, na verdade” murmurou por fim, desistindo da contagem para envolvê-lo com carinho em um abraço, não tendo exatamente tempo para aninhá-lo em seu peito quando, na verdade, só queria selar o contrato com beijo demorado. “posso ser seu moreninho se você for meu loirinho” resmungou ao afastarem as bocas avermelhadas pelo contato. moveu apenas os olhos para o lado, afim de tomar conhecimento do horário, coisa que o fez mudar a feição para uma caretinha chateada. “isso é um pedido de namoro, se quer saber” estalou um selinho na boca do loirinho antes de se afastar, caminhando meio de costas para vê-lo mesmo enquanto ia embora. “e fui quem fiz, só pra você saber! fui euzinho quem te pedi em namoro, bang kiwoon!”
12: o que aprimorou na habilidade do seu personagem desde que ele começou a treinar?
tudo? são quatro anos, afinal – mas controle, principalmente. no começo não podia bater um ventinho que jongha já tava absordendo coisa de onde não tinha o que tirar (se desse).
hoje ele já consegue escolher bem melhor quando e como usar as habilidades, em especial se vai causar alguma coisa sem pegar pra ele.
david: do you think beauty is defined, or a matter of opinion?
acredita que há coisas, as não materiais, que são bonitas e não há outra opinião — coisas como ações, sentimentos, etc. quanto à questão estética, athos acredita que é bem particular, sim, ainda que seja um tanto balançado com a ideia de que há seres que simplesmente são universalmente bonitos.
can you touch your nose with your tongue? what were you doing last night at 12am?
haewon coloca a língua pra fora da boca repentinamente seguindo a pergunta, se contorcendo de várias formas possíveis e fazendo diversas caretas para tentar provar que SIM conseguia tocar o nariz com a língua--mas acaba provando que não, absolutamente não consegue tal proeza, “então agora você vai me julgar não só por não conseguir fazer isso mas também por não lembrar o que eu estava fazendo ontem? não ter boa memória virou crime agora?” faz uma careta, tentando se manter séria, mas acaba caindo em gargalhada da própria resposta.