' i need you here, with me. '
às vezes era difícil reconhecer quem podia ser mais quebradiço entre nuri e misun. ao mesmo tempo, a certeza mais concreta era que se colariam, pedacinho por pedacinho, não importava quantas vezes lhes fosse necessário. o garoto pensava em todas as vezes que o mundo foi cruel consigo, em quantas vezes pensou em simplesmente sumir tantos palmos abaixo da terra que chegaria lá do outro lado do mundo, mas bem junto desses pensamentos, vinha ela. foi por causa dela que ele entendeu que nem sempre o amor da sua vida é romântico, pode ser apenas a pessoa que completa todas as suas lacunas e compreende as que não podem ser preenchidas. e aquela pessoa em sua vida era misun. por isso doía tanto quando era ela quem o pedia para ficar... porque não existia a possibilidade de deixá-la. podia lidar com mais um de seus infinitos momentos melancólicos sozinho (era o que sempre fazia, afinal), mas ela nunca o deixaria na mão se presenciasse um; mesmo que aquilo indicasse sair da pandemonium discutindo durante a noite, mesmo que ele pedisse. “eu te disse que ‘tava tudo bem...” deveria ter dito ‘eu menti para você’, mas não podia. não precisava, outra vez. gostaria de argumentar com ela, dizer que ninguém precisava de ninguém para existir, que somos todos autossuficientes, mas não estava em condições de ser racional, de ser insensível. com ela; consigo mesmo. “sua bochecha ‘tá toda vermelha, sabia...” o ruivo riu, fungando barulhento e movendo a pontinha do nariz (que ele tinha certeza estar tão carmesim quanto o rostinho preocupado da garota em sua frente). embora sua delicadeza fosse usada sempre ao seu favor, para conseguir as coisas que queria, naquele momento seu foco era misun. dedilhou o pulso fino da melhor amiga, agarrando com cuidado à medida que a puxava para mais perto com uma calma que não cabia na conversa anterior, nos desabafos perigosos e respiração ofegante. “não sei se você precisa, mas se você me quer aqui...” o riso seguinte escapou debochado, mas ela saberia que era apenas nuri manobrando a situação, usando sua válvula de escape: fingir que nada no mundo era sério, nada o importava porque ele gostaria de ser superior às coisas que o feriam e assustavam. “você me tem. até o último dia da sua vida... ou da minha... depende de quem for primeiro, na verdade” mórbido ‘pra cacete. não se importou de estarem na saída de um pub — ‘essa festa já virou um enterro mesmo!’ —, simplesmente a envolveu em um abraço apertado e carinhoso, incomodando-se apenas em aninhá-la contra seu peito. o queixo apoiou sobre a cabeça de misun ao que ele o esfregou ali risonho, não tendo capacidade mental de realmente manter a seriedade do momento, era quase como se não estivesse falando de ir embora minutos atrás. “eu te... alguma coisa” revirou os olhos, soprando seu último riso antes de encaixar os lábios no topo da cabeça da melhor amiga, a apertando carinhosamente enquanto pensava em todas as coisas que faziam sentido em consequência à ela. no fundo sabia que precisava dela muito mais que ela dele.












