Desculpe a demora, Marg
Eu estive andando por aí...
Observando o que mais eu poderia oferecer a esse mundo tão cruel.
Eu quase corria, e quase chovia.
A calçada me puxava para o início,
As coisas, exacerbadas coisas,
Sobressaltadas sobre qualquer razão que eu pudesse ter.
Marg, ela sorriu novamente enquanto eu a beijava
E por alguns minutos impostos, eu me perdi em tudo o que ela era.
Dá pra imaginar a imensidão de estar a dois centimilímetros da coisa mais importante da sua vida?
Por pouco que o mundo tomou-a de meus braços.
O que eu vou fazer Marg?
Ela me toca e rasga tudo o que eu sou.
Ela me invade com seu frescor sensível de apenas ser.
Seus cabelos dourados misturam-se ao ar que me falta.
O que eu vou fazer Marg?
Eu estive andando por aí,
Depressa,
Esperando a voz dela me encontrar,
Esperando que ela pudesse ouvir o meu canto retórico.
Linguagem de poeta que não sou.
Me faltam versos.
Me faltam palavras pra essa explicação codificada que eu não consigo entender.
O que farei com tudo isso Marg?
O meu sorriso é um espelho de como ela me faz sentir.
Você se lembra o quanto eu costumava estar vazia?
Eu era um poço fundo, sem volta, sem corda.
Eu era podre, fétida e sozinha.
E as coisas permaneciam, exacerbadas coisas
Sobressaltadas sobre qualquer razão que me convinha.
E então Marg, ela sorriu.
E eu tomei-a nos braços e os versos flutuaram acima de nós.
E o céu chorou.
E eu chorei também, diversas vezes.
Porque estar com ela era estar no céu.
E o céu, tão longe, se achegava para perto.
E ela sorria do meu desespero.
Enquanto eu tentava decorar cada milímetro que a compunha.
Naquela vasta rua, sobre a cidade.
Posso te contar Marg?
Ela é a mulher da minha vida. Ela consegue me salvar do vazio que eu sou.