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The hardships I had with the hikers with the Bible in my hand
Hereges – Leonardo Padura
Outro autor que dispensa apresentações... Todos os livros dele são excepcionalmente bons! Hereges conta várias histórias, entrelaçadas por um pequeno quadro de Rembrandt retratando um jovem judeu como um Cristo humanizado. Tais histórias cobrem desde Rembrandt e seu quadro, o modelo que foi usado e que queria ser pintor, os que levaram esse quadro na sua viagem ao fugir do nazismo e tentar entrar em Cuba, seu misterioso reaparecimento numa casa de leilões e o personagem Mario Conde, tão presente nos livros de Padura, que vai investigar tanto o sumiço como seu reaparecimento, a pedido de um dos descendentes dos legítimos proprietários desse quadro.
“Na manhã de 14 de junho de 1642... Rembrandt seguia o andamento fúnebre da modesta carroça em que viajavam os restos daquela que havia sido sua esposa e musa mais solicitada,...
,,, Rembrandt van Rijn chorou com toda a sua tristeza....o pintor jurou que nunca mais choraria. Por motivo algum....
... Então, Rembrandt van Rijn, tão esgotado, não teve força para cumprir o juramento que fizera a si próprio. Antes de morrer, ele teria de chorar mais quatro vezes.
Porque Rembrandt chorou na tarde de 1656 quando, vencido pelas pressões dos credores, teve de declarar falência e abandonar a sua querida casa no número 4 da Jodenbreestraat, enquanto os membros do Tribunal de Insolvências Patrimoniais faziam o inventário de todos os seus pertences, obras, lembranças, objetos, acumulados durante anos, para serem liquidados em leilão público em benefício de seus credores.
Voltaria a chorar na noite de 1661, quando os altos dignatários da prefeitura de Amsterdã, sem pagar um centavo pelo trabalho solicitado, recursaram, por considera-la imprópria, rude e até mesmo inacabada, sua peça A Conspiração de Claudius Civilis...
O homem voltaria a chorar em 24 de julho de 1663, quando deixou em um túmulo da Westerkerk o cadáver de Hendrickje Stoffels, a mulher que o acompanhara durante quase vinte anos...
E, quando já não lhe restavam forças sequer para amaldiçoar a Deus, teria de chorar outra vez em 7 de setembro de 1667, quando, contra natura, viu morrer seu filho Titus, quinze dias antes de completar 27 anos de idade. Tanto chorou essa morte que apenas um ano depois ele também morreria, lamentando o macabro atraso do Criador.”
“Lá fora começou a cair uma chuva cortada por relâmpagos. Eles, a salvo de qualquer inclemência externa, beberam em silêncio, como se não tivessem nada para dizer, mas, na verdade, não precisavam falar porque já haviam dito tudo. Os anos e as pancadas da vida lhes ensinaram a aproveitar plenamente os instantes em que o prazer era possível para depois, avaros, jogarem essa efêmera sensação de vida desfrutada no mealheiro dos ganhos indeléveis, um recipiente translúcido como a memória e que sempre podia se quebrar caso viessem tempos piores, quando haveria até mais razões para chorar. E eles também sabiam que essa era uma possibilidade permanentemente à espreita. Mas estavam ali, tenazes, bebendo, trancados por vontade própria entre as muralhas erguidas para proteger o melhor de sua vida, seus únicos pertences inalienáveis.”
Se quiser ouvir o próprio autor falando sobre o livro veja
Tem resenha em parceria com a @boitempo do livro HEREGES, de @leonardopadura no www.poesianaalma.com.br Segundo Eric Nepomuceno, e eu concordo: "Fica, então, uma advertência: ler este livro até o fim pode mudar sua maneira de ver a vida e o mundo. Para melhor, é claro. " #libros #leonardopadura #cuba #literatura #hereges
Chesterton, 'Filosofia da Luz' e os protestos
Chesterton explica as revoltas brasileiras
G. K. Chesterton
Trecho retirado do livro ‘Hereges’, de G. K. Chesterton:
“Suponhamos que surja em uma rua grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinza, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: «Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. Se a luz for em si mesma boa…». Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz elétrica; outros, porque queriam o ferro velho; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois seus objetivos eram maus. Alguns se interessavam pouco pelo poste; outros, muito. Alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais. Outros porque queriam destruir alguma coisa. Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora devemos discutir no escuro.”
Originalmente em http://liepkan.wordpress.com/. Sigam-no em @FilipeLiepkan
Chesterton, ‘Filosofia da Luz’ e os protestos was originally published on Reaçonaria
Mary Louise & Nora