@hhaena,
existia um pânico intrínseco nas feições de augusto ao que ele arregalava os olhos e virava-se, quase que em câmera lenta, na direção de um grito horrendo que ele nunca imaginou ser capaz de deixar a garganta de uma criança. ok, talvez fosse exagero, mas o primeiro sinal de um choro melequento já era o suficiente para fazer gus se preocupar, porque ele não tinha a intenção de que a criança ouvisse seus resmungos enquanto discutia com outro adulto as problemáticas de se mentir para crianças durante essa época do ano. ele não sabia quanto a pestinha tinha ouvido de seu monólogo, mas parecia ter sido o suficiente em vista que seu bico era cada vez maior em adição aos olhos marejados que ameaçavam transbordar a qualquer instante.
abaixando-se em frente ao pequeno, ao mesmo tempo que seus olhos aflitos buscavam por alguma figura que aparentasse ser o responsável por aquele ser, também tentava emendar suas palavras anteriores ao responder as diversas perguntas chorosas que a criança fazia. — o papai noel existe sim, claro que existe! não era desse papai noel que eu estava falando, eu te juro! existem vários impostores nessa época do ano e eu só queria alertar aquele moço que estava conversando comigo, sabe? — ele podia praticamente sentir as gotículas de suor se formando em sua testa no mais puro nervosismo, porque a criança parecia longe de comprar a história dele. — quem você acha que trouxe todos esses presentes e essas decorações brilhantes para cá, tudo direto do polo norte? o papai noel de verdade! porque ele é real! — em uma última tentativa, segurou com delicadeza o pulso da garota que passava por ali, olhando-a com olhos que praticamente imploravam por cooperação. — não é verdade, moça?











