“Fuck... this never get old!” Taylor falou arfando, sentindo o corpo contemplar todo o relaxamento cabível após estar enrolado nas cobertas com o marido, minutos após partilharem dos desejos carnais que parecia aumentar na medida que se passavam os anos. Dez anos de um relacionamento, entre idas e vindas, ápices e quedas-livres e eles ainda continuavam perdidamente famintos um pelo outro. Vez ou outra Taylor se espantava com aquilo, imaginando até quando Delo iria se contentar com apenas aquilo — ele já havia feito anos de terapia para saber reconhecer que aquilo o seu ridículo completo de inferioridade sussurrando em sua mente, mas sempre haveria uma pequena parte de si que bateria firme o pé, teimando haver algo de muito errado em alguém como o DJ ser apaixonado por ele. Eles estavam casados, haviam vivenciado as alegrias e tristezas e toda o restante do discurso matrimonial, antes mesmo de terem colocado as alianças. Por que Taylor ainda ainda não era capaz de aceitar que aquele homem incrível era seu, apenas seu e para o resto da vida seu? Era o que Delo sempre confessava, entre os travesseiros. Havia feito aquilo por anos. Em algum momento, Wright não teria mais nenhuma dúvida teimosa. “Miguél... já que estamos na cidade, nós bem que podíamos ir visitar os Jawad, hein? Eu quero apertar aquelas criaturinhas gostosas que são os filhos do Tariq e Amber!” um sorriso preguiçoso cresceu nos lábios de Taylor, enquanto ele escondia o rosto na curva do pescoço de Delo, fugindo dos raios de sol do fim da manhã que invadiam a suíte. Não havia nada mais gostoso que acordar em Nova Iorque, ainda mais ao lado de Delo. Trazia uma sensação de dejavu que sempre melhorava o humor do ator. Apesar de que estavam longe da Avenida Hylan agora, ainda era a cidade dos sonhos; a grande Selva de Pedra que tornou o garotinho ambicioso e sonhador que ele foi um dia um dos artistas mais influentes da década. Quando estava em Nova Iorque, Wright sentia que tinha tudo. Fama, dinheiro, influência, amor. Talvez faltasse um pedacinho. “Se bem que... eu ia gostar muito de ter minhas criaturinhas gostosas...” soltou baixinho, tentando ser sútil ao entrar naquele terreno inexplorado.