II
Lancei meu corpo para fora do carro. Beira da estrada, tudo bastante verde e muita luz. Caio no barranco, até parece que despenco. A porta do carro está aberta, mas não olho. Levanto com dificuldade pelos matos altos tenho de usar as mãos para continuar. Não tem cerca aqui, meu carro está longe agora, não olho, não o veria. Cinquenta passos quase contados, vento gelado e sol tocando intenso na pele. Já não estou num descampado. Agora sombras, brilhos e rastros. Já não sei mais quantos passos adiante sem recordar do carro até que paro vendo uma casa antiga cercada por árvores velhas. Cheiro difícil ao redor causando náuseas. Meus passos estão mais lentos. A porta da entrada entreabre sem barulho. Lá dentro está escuro. Janelas sujas, alguns vidros quebrados. Vejo no primeiro andar uma silhueta a surgir do escuro da janela aberta , ou estaria quebrada? Subo dois degraus, dois passos na varanda, cadeira quebrada ao lado, grave dos ventos pelas frestas, madeira do piso úmida, escura, folhas podres, não recordo de ter estado aqui antes, não parece ter tido alguém aqui em algum momento, passo pela porta sem fechá-la, mas ela fecha. Silêncio.










