As asas por trás das costas
De um coração que quer voar
Eu pouso dentro de mim, sem repouso
Me mato a cada instante se fecho o olho
Paradigmas, freios e correntes
Acelerado de repente
Frases prontas e atuações fluentes
Cadeia de pensamentos, comportamentos
Filosofia inconsequente, cheia de buracos
E o medo, soberano
Triunfa valente em minha mente
Do alto do seu trono
No centro do castelo de cartas
Brada constante até ser ouvido
Não tendo a escutar muito
Se tento ouvi-lo perco a calma
Perco as estribeiras, acho raiva
Acho besteiras, me acho demais
E acabo não achando mais nada
Poderoso sorriso, propósito invertido
Se nada temo, nada posso
Já cavo o fosso no qual me deito
Entre espinhos e alastres
Corpo-espinho, caveira e colar de rubi
Poeira, ouro e teias de aranha
Princesa da Dor, doce e brilhante tormento
Raíz do descontentamento, moralismo
Maldito moralismo, muito frágil me sinto
Condenado a condenar o que não conheço
A me julgar pelo que confesso
Rainha meretriz, meu coração em chamas
Desvirginado e animalizado
Me controlo pra não chamar o Ibama
Mas bem que eu queria, me matar com lenço macio
Com clava pesada, tiro de fuzil
Nesse paradoxo me calar, vontade quebrada
Sem auxílio, no meio da estrada
Nova coragem, nova força, desafio
Afiado o fio, à viados perdi o pavio
Veados que correm, a flecha apontada
Se morrem, no medo me escondo no frio
Enquanto a carcaça apodrece, meu peito entristece
Não colho os frutos da caça
E o rei grita no reino vazio
Preciso de um par de olhos
Ou de um par de braços
05.05.2015