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Alice voltou para casa e abrindo a caixa do correio, algumas cartas caíram no chão. As recolheu e viu uma com o nome de Beatriz. Pendurou sua bolsa perto da porta e abriu uma por uma. Contas com números mais baixos, contas com números mais baixos, mas tudo ao seu controle. Tremeu ao abrir a de Beatriz. Demorou para entender porque ela não ligou, não enviou um e-mail ou algo do tipo. Paralisou quando sentiu o cheiro de Beatriz naquele simples papel. Na carta dizia:
"Você deve estar pensando que eu não penso mais em você. Já faz dez dias que eu estou aqui e a única coisa que está na minha cabeça e não me deixa dormir é uma certa pessoa chamada Alice. Não sei se aí se tornou o seu "país das maravilhas", mas te digo que o meu só está em tormentas. Não se preocupe, onde eu estou está tudo bem, mas eu que não me sinto bem. Parece que eu me perdi dentro de mim e que só você pode me encontrar.
Eu não consigo dormir direito. Eu sinto sua falta. Sinto falta dos seus carinhos, da sua presença, da sua voz. Eu sinto falta de você segurando a minha mão e dizendo que me ama. Eu sinto falta da segurança que você me passava. Pensei em voltar, mas não sei é certo. Eu quis te ligar pra ouvir a sua voz, mas esqueci que o horário daqui é diferente. Não vou te dizer onde estou porque sei que você viria até aqui me buscar. Eu te amo, Alice. Não se esquece disso, tá? Eu vou ficar mais alguns dias, mas logo volto. Não consigo ficar bem longe de você. A gente precisa conversar, e não fugir como eu fiz. Eu te amo. Eu te amo. Beijos, da sua Bia. Eu te amo" Alice não pode deixar de chorar, assim como Beatriz fez quando estava escrevendo. Parecia que aquilo era um sonho, era exatamente o que ela queria saber: se Beatriz ainda pensava nela. Seus sentimentos estavam pulando dentro de seu coração, mas ela sabia que não podia ficar assim.









