Papiamento: a língua crioula das Ilhas ABC
As Ilhas ABC são três ilhas do Mar do Caribe, perto da Venezuela. Elas são chamadas assim por causa dos seus nomes. Da esquerda pra direita nessa imagem, vê-se Aruba, Curaçao e Bonaire. Ou seja, A, B e C.
Aruba e Curaçao são "países constituintes" do Reino da Holanda, enquanto Bonaire é um "município especial" do Caribe Holandês (Ilhas EBS), assim como Saba e Santo Eustáquio. Todas elas estão sujeitas a lei holandesa e fazem parte da Holanda.
De todo modo, essas ilhas são bem curiosas. Isso por que os seus habitantes falam uma língua muito incomum, chamada Papiamento.
O Papiamento é uma língua crioula de base lexical portuguesa e muito influenciada pelo Holandês, Espanhol e um pouco do Inglês. E sim, o nome "Papiamento" vem da palavra "papear".
Há cerca de 350.000 falantes, e dois dialetos diferentes são usados: o dialeto de Aruba, e o dialeto de Bonaire e Curaçao. Além das diferenças dialetais naturais, há também diferença entre as ortografias padronizadas. A ortografia de Aruba (se escreve Papiamento com O) é mais etimológica, já a de Bonaire e Curaçao é mais fonêmica (se escreve Papiamentu com U). Ambas as ortografias usam o mesmo alfabeto, com a diferença que a ortografia de Bonaire e Curaçao não usa Y em palavras nativas.
Letras com nome correspondente em Papiamento/Papiamentu:
A - a
B - be
C - ce/se
D - de
E - e
F - ef/èf
G - ge
H - ha
I - i
J - ye
K - ka
L - el/èl
M - em/èm
N - en/èn
Ñ - eñe
O - o
P - pe
Q - ku/kü
R - er/èr
S - es/ès
T - te
U - u
V - ve
W - we
X - eks
Y - igrek/igrèk
Z - zet/zèt
Outra diferença é que apenas a ortografia de Bonaire e Curaçao usa o acento grave ⟨`⟩, o trema ⟨¨⟩ e o acento agudo ⟨´⟩. O acento grave e o trema distinguem um fonema vocálico do outro, e.x. bon [boŋ] e bòl [bɔl] ou tur [tur] e hür [hyr], enquanto o acento agudo indica a sílaba tônica. A ortografia de Aruba não utiliza nenhum acento.
Quanto ao vocabulário, cerca de 80% das palavras vem do Português ou Espanhol, 19% do Holandês ou Inglês, e quase 1% vem de línguas indígenas ou africanas.
E esta foi uma brevíssima introdução ao Papiamento, o único crioulo de base portuguesa sobrevivente no Caribe.









