Não era a mais medrosa das pessoas, mas a decoração do castelo fazia um bom trabalho em deixá-la bastante apreensiva. No salão de baile, claro, não tinha problema -- era tudo grandioso e bonito, cheio de gente com fantasias incríveis. Nas masmorras? Bem, o local escuro e cheio de passagens que ela não conhecia tinha um ar misterioso e perigoso que só percebeu não ser de seu apreço quando se viu perdida por lá. Teria ido embora se para além da sua visível tensão ali, sua curiosidade fosse muito maior. Enquanto andava na direção de um som que havia escutado, nem percebia que se distanciava ainda mais da festa para os finais do calabouço e àquele ponto o som de músicas e conversas estava abafado pela distância. Quando percebeu, enfim, até onde havia caminhado, podia sentir o coração saltando pelo repentino medo que a tomou, mas antes que decidisse voltar, a imagem de alguém foi o suficiente para que um pequeno grito escapasse da sua boca e seu instinto a fizesse empurrar a figura, segundos antes de ver de quem se tratava. “DESCULPA!!” Pediu, se aproximando para ver se a pessoa estava bem. “Eu não tinha visto ninguém, e aí eu fiquei com medo porque tava tudo escuro e sinistro, e você apareceu do nada! Foi sem querer, juro.”