mas eu não tenho nome algum. nem raça, nem cor, nem língua, nem casa. eu sou o fogo, the fire, lo fuego, der Feuer. o instinto, a insanidade, o volúvel e o vermelho vivo, de vida pulsante, de calor, de combustão. eu existo em todo lugar, em todo ser. qualquer lugar do mundo, lá estou, mas não sou onipresente. sou um impulso animalesco que evoluiu para um sentimento voraz, que desce pelas veias agitando o corpo e nocauteando a mente. alguns, me escondem. outros, me repudiam. alguns me revelam e outros me confundem. eu sou difícil. eu só posso ser, naturalmente, embora às vezes muito forte, um feminino, que no entanto não torna afeminado. eu sou os fetiches e gestos tímidos, os afagos longos e os beijos curtos. uns chamam de inferno de perdição, outros, de paraíso. eu levo e trago, puxo e empurro, giro tudo e torno a desvirar numa avalanche que mistura todo tipo de sentimento, do mais puro ao mais vil. que nunca me viu deslizando pelas curvas de uma pele de mulher, certamente nunca disparou o coração à quase explodi-lo. eu sou aquela língua doce que parece que lhe escorrega pela boca e pela língua como mel vistoso como você fala. sou aquela palavra que, sussurrada no seu ouvido causa-lhe arrepios por todo o corpo. ah! eu sou o seu desespero sob o chuveiro e suas mãos cansadas, eu sou o seu não encarar, o seu remexer desconfortável, a sua face corada, pudor e depois despudorada. ah! eu me escondo bem, eu derreto, eu deslizo, eu lhe sumo com a razão.
e seu nome é Luxúria, de longos cabelos negros, de unhas longas, de palavras impuras e lábios rubros.
ela irá devorá-lo, igualmente, quando abrir sua enorme boca como abra à todos nós, e lhe engolir.