socaram o meu amor na cara
ás onze e dez, voltando pra casa a polícia o parou com uma arma na mão. eu sou forçada a sofrer calada para respeitar a lei deles de opressão. de madrugada eu tenho um encontro marcado com as minhas crenças, aonde eu vivo o direito roubado de todo negro e pobre não levar porrada por dizer o que pensa.
ás onze e dez, na minha casa eu levei um soco na cara porque eu sou preta, pobre e favelada então é só uma questão de encontrar um policial amanhã.
ás onze e dez, você vai ligar a tv na sua casa e se for um dia comum vai ter notícia de mais um preto morto em meio a tiroteio e ele ainda será considerado vilão.
você olha, desliga, ignora, o meu amor apanha e eu resisto pra poder escutar de você “que o racismo não existe”?













