O nascer do Sol e o Indutivismo
A grande diferença das simples previsões de futuro e a certeza intrínseca a cada ser humano de que o sol nascerá novamente no dia seguinte se baseia no indutivismo. O Princípio da Indução formula o raciocínio baseado em observações de fatos que permitem, a partir de generalização, extrair uma conclusão. Ou seja, a repetição de um mesmo evento diariamente sugere que no dia seguinte, volte a acontecer, mas não há nenhuma base lógica para afirmar isso. Não há garantia da ligação entre os fatos que garanta uma generalização segura, pois só há certeza do que já aconteceu, nunca de um acontecimento futuro.
(Para entender melhor leia: https://questionandotudo.tumblr.com/post/189447009023/o-peru-indutivista-esse-%C3%A9-um-conto-cl%C3%A1ssico-de)
Como exemplo, Seu José queria comprar um carro e procurou indicações com seus familiares e amigos. Um amigo de confiança disse à ele: “Compra um Ford que os carros são bons”. Confiando no seu amigo, comprou um carro dessa montadora e se surpreendeu, realmente o carro era bom e nunca o deu problema. Desde então, já trocou de carro três vezes e sempre voltou a comprar um Ford. Na cabeça do Seu José, o raciocínio indutivo é natural, e a conclusão óbvia a tirar é que o próximo carro que comprará será outro Ford, e também será bom, pois todos que teve até então foram assim. Mas a realidade é que essa conclusão é extremamente precipitada. A análise de casos pontuais não faz com que todos os carros dessa montadora sejam bons. Infelizmente, poderá haver um dia que Seu José comprará outro carro Ford, e esse venha a lhe dar muitos problemas, um péssimo carro, o que o fará se questionar sobre suas conclusões precipitadas, pois o raciocínio indutivo é frágil, principalmente pela análise de poucos casos.
Outro exemplo de raciocínio indutivista, um pouco mais generalista, mas ainda assim, fraco, é o seguinte: Se eu vejo, em dias diferentes, em locais diferentes um urubu preto, intuitivamente o ser humano tende a raciocinar indutivamente e concluir que todos os urubus são pretos, o que não é um raciocínio válido, pois apenas uma pequena quantidade de espécies foi analisada. Até que se analisem todos os casos e verifique que não há urubus de outra cor, não se pode afirmar que todos os urubus são pretos. De forma contrária, basta um único caso negativo à conclusão gerada para invalidá-la. No caso citado, a partir da indução, o indivíduo que afirmou que todos os urubus são pretos, determinado dia cruza com um urubu albino. Não importa que seja uma exceção, e realmente existam poucas espécies do animal citado, a conclusão está automaticamente inválida. Esse é o princípio da falsificação. (Para saber mais leia: https://questionandotudo.tumblr.com/post/189466444863/o-sol-e-o-falsificacionismo)
Ora, mas depois de dois exemplos em que o raciocínio indutivista pode ser facilmente quebrado, porque continuamos confiando no nascimento do sol no dia seguinte? Qual a diferença entre os casos?
Basicamente a diferença está na quantidade de casos observados. O sol nasce no Leste e se põe no Oeste todos os dias há gerações de homens. Grandes civilizações do passados conhecem o comportamento do Sol, e desde o mais antigo registro que se possui, o sol nasce e se põe todos os dias. Assim é natural que se proponha uma indução forte que realmente o sol nascerá novamente amanhã, e também no dia seguinte, e provavelmente em todos os dias enquanto vivermos. Devido à uma sequência de eventos incontável, é quase impensável que o dia escureça e não voltemos a ver o sol no dia seguinte. A probabilidade de um evento catastrófico levar a explosão do Sol ou algo igualmente grande nos impeça de ter acesso à luz solar é tão ínfima e desprezível que temos a certeza de que o Sol realmente nascerá amanhã.