o gosto é como o de um café barato @dassoni
Foi uma surpresa quando não encontrou o cara baixinho, de cabelo colorido e muitos piercings da cara. No lugar, quem lhe deu o ingresso impresso foi uma garota de cabelos longos e olhar de tédio, mas um sorriso de quem estava tentando passar mais um dia assim como o próprio Eunseo sorria. Não deu para segurar a língua; ele questionou a falta do rapaz, que pela terceira vez não estava ali. Ele deixou fazem uns cinco meses ou mais, uma outra garota respondeu, a que sempre caprichava na manteiga em sua pipoca, porque era aquilo: Eunseo era um cliente da madruga frequente no cinema. Mas nesse tempo, Eunseo havia diminuído sua frequência. Por uns meses, até chegou à zero. O acidente tinha o consumido; tinha o feito mais isolado do que costumava ser. Depois, beber passou a ser muito mais atrativo que passar mais de uma hora numa poltrona fora da sua casa. Foi só nas últimas semanas que havia retomado o hábito que, seis meses atrás, até havia passado a dividir com alguém. Talvez aquilo fosse um sinal para que parasse de mostrar o apelo de ir ao cinema às 2h da manhã. Talvez, se toda vez que apresentasse alguém aos funcionários, essa pessoa e ele estariam fadados à terminarem — com Daeyeon, de forma abrupta e irreversível. Foi depois do filme que encontrou o outro caso de separação pós cinema. Não que ele e Dasom tivessem terminado logo após um filme em um telão, mas não foi muito tempo depois de aproveitar do relógio dela, nos dias de folgas, para irem pelo menos uma vez ao mês. Às vezes mais. Coincidência, talvez, mas Eunseo achava ter a liberdade de culpar outras coisas por suas maldições. Fazia tempo suficiente, no entanto, que não só não se sentava em um dos bancos na frente do cinema, para esperar um pouco do tempo passar enquanto bebendo um café gelado e ruim, como não encontrava Dasom ali. Vê-la trouxe um rebuliço, seguida de uma melancolia que fez tudo se acalmar. Era sempre meio assim quando a via, mesmo quando com Daeyeon ao seu lado como mais que somente sua parceira de trabalho. Era uma mistura de tristeza com saudades que o fazia querer saber como ela estava e um pouco mais. "Como foi hoje?" Eunseo queria mesmo é perguntar se ela só estava saindo do trabalho mesmo ou iria ver algum filme. Junto à curiosidade, vinha lembranças inevitáveis. Vê-la ali, assim, era sempre como um fantasma, pois havia sido daquele jeito que começaram — embora um pouco mais caótico e nada legal para os babacas que terminaram tontos ao se deparar com a polícia. "Acho que trocaram o tipo de café na máquina" Devia ter calar a boca.












