“yay math!” said no one EVER.
Frustrada, Mina sentia uma enorme vontade de gritar, socar algo ou chorar... talvez os três ao mesmo tempo -- se não fosse pelo orgulho titânico com armadura de aço que reinava sobre seu cerne, com certeza já teria se submetido a tamanha humilhação. Agora, o motivo para tanto estresse? Além da rotina apertada com seus dois empregos e recuperação em biologia, a professora de matemática resolveu aplicar uma prova de início de semestre que valia (nada mais, nada menos que) metade da nota do final do ano. Mina sentiu seu espírito descer aos confins do abismo e por ali ficar, encolhido e chorando em desespero por ter tão pouco tempo para o “grande dia”. Tudo bem que a professora teve a decência de avisar sobre a prova cerca de três semanas antes, mas foram justamente as piores semanas para anteceder uma prova de tamanha importância. Com o fim do verão e início do outono, diversas doenças respiratórias pairam sobre o ar da cidade coreana; como fortes gripes que derrubou não somente três funcionários da cafeteria -- obrigando Mina a ter horas extras --, como também sua irmã mais nova! Por Deus. Como ela teria tempo? A mãe da balconista basicamente se isolou no quarto por ter a imunidade baixa e não querer pegar gripe da própria filha, deixando a mais velha como única responsável de Miok. E antes que pudesse perceber, já haviam se passado duas semanas e meia. Mina soltou um pequeno gemido frustrado. Seus pequenos braços apertavam cerca de cinco livros contra o corpo enquanto tentava se desviar das outras pessoas do pátio da escola. Estava a procura, preferencialmente, de uma mesa vazia, mas ao ver que seria impossível com tantos alunos de todos os anos presentes, buscou pela que tem menos pessoas. Esquecendo-se da boa educação por estar com os pensamentos longínquos do presente, acabou que não pediu licença para o rapaz que já ocupava a mesa; sequer perguntou se o local era vago, apenas abriu um dos livros e tentou ler as notas deixada por uma colega de classe. Não. Entendia. Nada. ━━ Argh! ━━ A interjeição saiu um pouco alta, batendo a testa no livro aberto. No entanto, logo voltou à posição normal. Tentou retomar o parágrafo duas vezes. Os números pareciam saltar da página e dançar com as letras enquanto zombavam da incapacidade de Mina em absorver um conhecimento tão “simples”. ‘ora, matemática não é simples!’, pensou, na defensiva. Depois de vários minutos, de diversas interjeições que faziam parecer que a coreana estava sob tortura e depois de retomar a leitura do mesmo ponto mil vezes, Mina soltou o grande livro em cima da mesa que fez um barulho alto por conta do impacto. Massageou as têmporas ao sentir que sua enxaqueca se aproximava e, no fim, finalmente levantou seus olhos cansados com olheiras profundas para o garoto a sua frente. ━━ Ah. Miane~, não queria atrapalhar sua leitura. ━━ Se esforçou para ter um tom doce, mas o cansaço era visível no timbre da sua voz. ━━ Acho que expressei meu ódio por exatas alto demais.
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