Nada é mais medíocre que o pato. Sim, o pato, uma dessas aves domesticadas pelo homem, raramente visto hoje por alguém em um ambiente selvagem.
O pato faz um pouco de tudo, é verdade. O pato canta, ou melhor, grasna, emite um som antipático, muito diferente de outras aves. Anda, de maneira desajeitada, mas anda, como também voa e nada, tudo da pior forma possível em relação aos outros. Por tudo isso é presa fácil. Não corre como o avestruz, que alcança a velocidade de um cavalo na terra, não voa alto como a águia, tão pouco voa rápido quanto o falcão.
Faz de tudo, repita-se, mas o pato é medíocre em tudo o que faz. Para sobreviver tem como única vantagem evolutiva a aleatoriedade, já que vive em grupo. O abatido é qualquer um dos patos, o que obviamente não mudará o destino de um dos outros membros que sobreviveram na próxima oportunidade.
A história do pato pode ser transportada inteiramente para o mercado de trabalho. O profissional medíocre vive como o pato: nada, anda, voa, grasna, faz de tudo um pouco, mas não possui nenhum destaque. Ninguém, com a consciência plena, quer ser o pato, é claro. A questão é que sobram muitas vagas para desempenhar o papel da ave. Poderá o trabalhador concordar ou não, porém, na natureza alguém tem que ser o "jantar", digo, o "pato".