[abertura]
uma cidade não-nascida como escultura e não moldada pelas mãos mas sim pelo ocaso ocaso como intransponível barreira de edificações. de futuros. antes de posto de troca, passaram grupos tupi e bugres, magia transição de tempos e climas - encruzilhada na existência, ali nasceu, cresceu e não ficou ninguém. só restou.
cá só existem caminhos e só passagem início do fim dos mares de morros; grande barreira com o Paraná; Sul mais ao Sul possível inclusive do Sul o repositório de um imenso contingente escravizado na expansão cafeicultora a derrota da humanidade &
sangue brota do chão amaldiçoado construindo igrejas de terra, muros de argila, fazendas, pedras e vão e caminham e passam por Itapeva as Tropas levando bois e eras passadas e passam boiadas e convivem fantasmas levantando poeira, sempre andando, sempre por tempos que se desconectam mensagens caminhões & turistas Que nunca param, nunca, rios encanados ou não Na noite que fumega na brisa que afasta e na roupagem colonial se escondem
pessoas que prometem nunca mais voltar. Mas descumprem.
Cobra alaga e alarga e se move cabisbaixa da igreja: fluem todas as narrativas para o fundo, vazam histórias como num ralo o corpo da cobra o cano que desce pela praça do green, via crucis noturna, difícil sair dali, difícil não sentir o que acontece difícil não pensar e sair e não entender pois o céu é estrada e todo rolê é um ensaio sobre a formação e a implosão de faxina todo rolê refaz de caminho a vilarejo de vilarejo a bairro de bairro a cidade de cidade a cidade.. e daí para o fim Onde
parece escoar parece Onde crescem os causos que fogem o centro esquisito de nada parece O berço da nossa corrida para o oeste, alísios vestígios de história pingadas tornou-se Pedra Chata onde nasceu um povo no esvaziamento e no caminho como um chocalho de serpente balançando ao fundo e acena no cemitério o destino daqueles que se apegaram à terra todos que estão, até os mortos, o fazem desconfiados, sabidos, de rito e de passagem uma história sobre a transicidade;
{Esse é um projeto sobre a formação da cidade de Itapeva. Quero capturar seu caráter transicional e sua encruzilhada e seu vento e etc e tal e o objetivo é ter qualquer objetivo quanto a compreensão do seu formato, complexo cultural, suas produções seus destinos. Todos. Cidade de caminhos, onde se cruzam, para onde volta e para onde vai, eu quero é saber se você quer ler mais sobre ou me ajudar. Entre em contato.}
Pintura: Debret (Itapeva da Faxina) Mapas: Google maps e Caminho das Tropas (Wikipedia) Foto: Felipe Johnson Inspiração: Relato poético/geográfico (Marcelo Labes); Narrativas, intercruzamento, magia (Alan Moore e Neil Gaiman); Realismo Fantástico (Gabriel García Márquez)



















