julgando pelo pouco que te conheço, talvez você ache que sou louco por estar tentando mais uma vez reatar com você. mas na verdade, quebrar o gelo e engolir o orgulho não significa que estou pedindo perdão ou queira voltar. é mais um ato de amadurecimento, sabe? a gente vai crescendo com o tempo revendo as atitudes, e vamos percebendo que algumas coisas não deveriam ser ditas ou feitas, entende? eu sei que você, a julgar pelo meu hálito, vai dizer que estou bêbado, e não irei negar. tomei algumas doses antes desse impulso de coragem. é verdade o que dizem sobre o álcool nos dar coragem para falar coisas que não falaríamos sóbrio. mas não significa que não seja verdade, por isso estou aqui, batendo na sua porta, às 3h da madrugada, para dizer que eu fui suficiente, sim. talvez eu não tenha sido a melhor companhia e tenha falhado algumas vezes, mas quem em plenas condições como ser humano falho consegue ser perfeito numa relação? eu sei que eu poderia ter sido mais carinhoso e evitado gritos várias vezes, mas acontece que às vezes eu estou prestes a explodir e tenho que me esvaziar. fazer isso batendo nos móveis e quebrando pratos e suas lembranças de festas não foi a melhor escolha, me fez parecer louco, não tiro sua razão. mas, pensa comigo, pense como eu, pensa por mim. se põe no meu lugar. você também errou tantas vezes que deixei passar e até hoje deixo porque não acho justo julgar alguém apenas pelos seus momentos de surtos. eu também fiquei sozinho quando você precisou visitar seus parentes distantes, ou ir alguma festa que eu não seria bem vindo, ou até mesmo quando você estava com saco cheio do resto do mundo e me pediu um tempo. eu fiquei sozinho. esperando uma ligação sua, agarrado ao celular, dando um pulo a cada vez que uma mensagem do whatsapp aparecia na minha tela. e em nenhuma delas era você. mas eu aguentei a barra. não por mim, mas por você. por nós. por saber que as pessoas precisam respirar. é difícil quando só nós levamos a culpa, sabe? é por isso que estou aqui, para te dizer que erramos várias vezes juntos, e separados também. mas você só conseguia enxergar minhas pisadas na bola e em momento algum você parou para rever seus erros e eu não disse nada por achar injusto jogar na mesa todas aqueles passados sombrios, em que eu chorava no meu quarto, depois de tê-los enterrado. é por isso que estou aqui, só para te dizer que eu aprendi mais com seus erros do que com os meus. eu já sei o que não devo fazer, mas também aprendi o que não devo aguentar calado, ou gritando. eu apenas aprendi qual é a hora de ir embora, qual é a hora que as cargas ficam tão pesadas que são impossíveis de serem carregas. demorei, mas eu consegui entender que términos são o êxito da exaustão. talvez amanhã quando todo esse álcool estiver longe do meu sangue e minha cabeça parar de girar eu tenha consciência da besteira que fiz em vir aqui, mas terei convicção de que finalmente eu fiz a coisa certa.
desta vez não estou indo embora, estou te deixando ir. quebrando essa algema imaginária que prende meu ego ao teu sentimento falido. nunca fui bom em reconhecer fins, mas agora entendo bem que esse é o nosso.