Eu não sei exatamente quando foi que eu descobri que "estava apaixonada". Quer dizer, nunca compreendi muito bem o que essa expressão queria dizer e talvez por isso eu tenha demorado tanto para perceber os sinais bem ali na minha cara. Mas, tem uma lembrança em específico onde eu me dei conta de tudo o que estava acontecendo e não tinha mais como eu negar meus sentimentos. Foi naquela manhã em um sábado onde eu estava morrendo de cólica e simplesmente não havia nada capaz de amenizar aquilo, mesmo depois de ter tomado uma poção a qual normalmente ajudava naqueles dias. Resolvi pular o café da manhã para poder deitar em posição fetal e esperar o Narrador ter piedade de mim ou que a poção finalmente fizesse efeito e ainda bem que não haviam aulas naquele dia. Não demorou muito para eu receber uma mensagem de James perguntando se iríamos mesmo estudar naquele dia, conforme havíamos combinado. Eu respondi simplesmente que “não estava me sentindo muito bem” e perguntei se poderíamos fazer isso outro dia. Meia hora depois ele apareceu com um chocolate quente e uns pãezinhos, assim como uma compressa! Talvez ele tivesse se lembrado que dois dias atrás em uma pequena explosão de raiva eu mencionei estar na "tpm" e associou tudo. O que importa é que depois de tomar o chocolate quente e me aninhar nos braços dele, em algum momento naquele silêncio e conforto que somente James Frost era capaz de me proporcionar, eu peguei no sono. Ironicamente, naquele dia, nesse curto período de tempo em que eu cochilei, foi com a minha mãe que eu sonhei. Nós estávamos na típica discussão em que ela tentava me provar que o amor verdadeiro existia e eu, como sempre, desacreditava apresentando argumentos que provavam ser somente uma ilusão. Quero dizer, eu sempre amei os meus pais então sim, é claro que o amor existe e também a cumplicidade e preocupação que eu acabei desenvolvendo com alguns amigos mostravam que esse sentimento poderia existir. Mas, nunca acreditei em algo romântico capaz de durar tanto tempo quanto o que minha mãe tinha e tão fervorosamente defendia. Acabei acordando meio assustada com o quão vívido tinha sido a lembrança daquela conversa e uma das frases que ela me dissera ficou ecoando em minha mente por algum tempo: "Alexis, querida, pode ser que isso nunca aconteça com você, tem razão. Mas se um dia acontecer, você simplesmente vai saber. Vai olhar para quem quer que seja e tudo o que eu estou dizendo vai fazer sentido." Ah essas palavras fizeram meu estômago se alvoroçar porque pela primeira vez na vida eu sabia que aquilo era verdade. Naquele dia, em meu dormitório após despertar, eu sentia o braço de James ao meu redor — sim, ele havia ficado — e ouvia o ressonar baixinho e suave trazendo uma doce e gélida brisa até a minha nuca. Minha cólica finalmente tinha dado uma trégua e as palavras de Marian insistiam em ecoarem na minha mente, me fazendo respirar fundo uma, duas, três vezes. Fechei os olhos um instante tentando afastar o peso do que o sonho me havia feito concluir e já não havia mais como fugir. Foi ali, depois de engolir em seco e finalmente girar a cabeça para olhar por sobre o ombro que eu encontrei o rosto sereno que descansava ao meu lado, tendo adormecido comigo. Naquele instante meu coração disparou de um jeito inexplicável e eu simplesmente soube, exatamente como Marian havia me dito: eu estava diante do amor verdadeiro. Enfim, é estranho me expor desta forma, mas... acho que estar apaixonada tem dessas coisas não é mesmo?