"Okay... Okay, hospital. Hospital, now."
[ almost two years from now ]
Oito meses cultivando uma sementinha que valia mais que sua própria vida. Desde quando havia se tornado tão clichê? Ou madura o suficiente para prosseguir com aquilo? A ideia inicial seria ingerir uma pílula e adeus futuras dores de cabeça e noites em claro, contudo, sua intuição entrou na frente. Nem mesmo enfrentando tamanho perigo em batalhas ficou tão à mercê da dor causada por um spider-sense descontrolado. Seu corpo não desejava que a criança não continuasse seu crescimento, logo, a sua segunda opção foi a adoção. Mal havia completado seus dezenove, como iria cuidar de outro pequeno ser humano? Desistiu de tal opção tão rapidamente quanto a primeira. O que restava era segurar a marimba. E, se isso significava passar por quaisquer dificuldades, quem era ela para contestar? Como havia prometido, Gwyneth Parker-Jones had her back. Lutar contra criminosos enquanto esperava uma criança era desafiar todas as recomendações médicas, porém, era seu trabalho, e tiraria licença apenas no dia do nascimento de Shiloh. Não passava das nove da noite quando o pequeno resolveu dar o ar da graça, interrompendo uma de suas perseguições. “Knightress!” Weaver conseguiu chamar a atenção de sua parceira, que nocauteou um dos bad guys em um soco certeiro. “Seu sobrinho está querendo ser igual a você, só que ao invés de socar os bandidos, ele está me socando!!! Por dentro!!! Que criança soca a mãe?! Shiloh, eu vou te processar!” O nervoso era notável em sua voz e em seus pequenos gritinhos de agonia. Era muito esquisito ter uma aranhazinha dentro de si, lutando para sair. Não demorou para que Gwyneth se desesperasse também. Duas jovens heroínas não tão experientes presas no meio de uma confusão policial enquanto uma delas dá a luz? “Hospital, now.” O ultimato foi dado por Knightress, que achou que seria uma boa ideia correr pelo fogo cruzado e roubar uma viatura da polícia usada na ação apenas para levar a irmã para um centro de tratamento.
“É como se eu tivesse sido mordida por vários zumbis ao mesmo tempo, só que só nas pernas.” Amber respondeu a pergunta de Parker-Jones pouco tempo após o parto, com o ponteiro do relógio já se aproximando das quatro da manhã. Ainda estava ansiosa, e por isto, não pararia de falar tão cedo. “Você ligou para todxs, certo? Espero que sim, tive um baita de um trabalho deixando Jason Shiloh seguro o suficiente por quase nove meses, agora elxs precisam ver o resultado disso. Esse é um bom momento para comer balas japonesas? Eu quero meu bebezinho e minha mãe. Você é a melhor madrinha que vai existir, Gwyneth, só pelo fato de ter desafiado a polícia. Eu amo você. Onde está o meu bebê?”
[ some years from now ]
Nem mesmo uma reunião de família poderia ser considerado um programa tranquilo. Correr atrás de um pequeno Jason e apaziguar certas discussões entre seus sobrinhos era decerto atividades que demandavam muita energia. Não que ela reclamasse, afinal, era uma forma de amenizar os sintomas da sua hiperatividade e manter o cérebro pouco carregado. Só havia uma coisa que não estava encaixando. Pode observar todos os Parker adultos que possuíam o spider-sense virar a cabeça de uma mesma vez, em direção à casa. Amber não era uma exceção naquele caso, entretanto, foi a única a investigar o que poderia ter acontecido. Deixou o filho com uma de suas tias, apenas para encontrar uma morena apoiada na pia da cozinha, de cara amarrada. As palavras de Gwyneth foram as mesmas proferidas mais cedo no mesmo dia, porém, com um pouquinho mais de seriedade. “Gwyneth Arwen Marshall Parker Jones Rogers Orleans e Bragança, essa é a terceira vez que você faz esta mesma piada no curto espaço de tempo que foi hoje. Dar à luz, até parece. Almoços de família podem ser um porre, mas não escapará usando essa menininha como desculpa, sister.” Amber riu da expressão de dor da irmã, exímia atriz, tão realista que poderia convencer qualquer um que não estivesse familiarizado com as brincadeiras da mulher. Nem cinco segundos depois, a ameaça de ter o crânio estourado por causa do sexto sentido fora real. “OhmygawdGwynethareyouokay????” O sorrisinho foi posto de lado, e mais rápida que um Maximoff, Amber pôs-se ao lado da irmã mais velha. Sentia-se mal por não ter acreditado de primeira na morena, todavia, havia se preocupado nas outras duas vezes.
“Eu não acredito que você vai poder usá-la de desculpa pra escapar dos nossos pais! C’mon, that’s not fair! I was kidding!” Reclamando, buscou a pequena mala cheia de patinhos amarelos, algo neutro e não muito exagerado. Fez questão de já deixar separado as balas japonesas da mulher, afinal, as próximas horas poderiam ser as menos prazerosas da existência de Gwen. “Hospital, certo?! Sei que você preferiria as águas termais, contudo, não acredito que ela seja capaz de esperar.” Correndo, a mulher irrompeu pelas portas até o jardim, atraindo a atração geral. “ONDE ESTÁ WILLIAM ROGERS?! CHAMA UM HELICÓPTERO, VAI NASCER!!!”














