Mandaram-na ficar no carro e foi exatamente o que fez. Eram raras as vezes que saía em missão e em todas elas, ficava escondida, monitorando e deixando os agentes a par de tudo. O que não esperava, é que fossem soltar uma espécie de gás sonífero que, mesmo com todas as janelas muito bem fechadas, ainda encontrava uma fresta para se esgueirar para dentro do automóvel. O fato é que Sara não sabia o que era aquilo e quais eram seus efeitos, mas assim que sentiu o cheiro estranho, começou a procurar por uma máscara ou algo que a impedisse de inalar aquilo. Não encontrou nada. Colocou o tecido da manga da camiseta comprida contra o nariz, tossindo algumas vezes porque estava muito forte. Olhava para fora aflita, pensando em como a equipe estava e desejando que retornassem logo. Respirava com calma, mas temia o que o gás desconhecido faria consigo e com os agentes. Aos poucos, começou a perceber os sentidos vacilando: a visão tornou-se embaçada, ouvia vozes e gritos que pareciam muito distantes e sentia a garganta queimar. Tentou manter a concentração para permanecer acordada, mas os olhos pesavam e os braços, agora fracos, soltaram o notebook que foi parar aos seus pés. Não conseguiria ficar acordada por muito mais tempo. Antes que acabasse batendo a cabeça quando apagasse, Sara deitou-se no banco, as pálpebras entreabertas e o corpo quase sem forças. Novamente, ouviu barulhos que pareciam distantes, dessa vez, de portas batendo. Alguém a chamava, mas não conseguiu distinguir a voz e muito menos o rosto da pessoa à sua frente. A última coisa de que se lembra, é de alguém erguendo sua cabeça e apoiando-a em algum lugar mais alto antes de se entregar a Hipnos definitivamente.