Tobias Ragg estava em um canto do grande salão. Não gostava dos festejos de fim de ano, porém se divertia em situações sociais, gostava de fazer contatos e, se possível, conquistar pessoas que poderiam visitar sua loja. Ele gostava de manter seu estabelecimento com a fama de “bem frequentado”. Aquele convite do Sr. Gray o fez sentir-se, de certo modo, orgulhoso de si mesmo. Embora fizesse parte da alta sociedade, havia determinados lugares que ainda não frequentava. Viu ali uma oportunidade interessante de se firmar como alguém importante.
Sua experiência poderia apontar quem era londrino e quem era estrangeiro naquele monte de pessoas. Não deixou de se perguntar se haveria alguém ali cuja falta não seria sentida por ninguém. Deixou tais pensamentos de lado e resolver conversar um pouco, o ambiente estava muito animado, e com tanta gente interessante ali seria de bom tom se isolar.
Então se aproximou de alguém, porém não encarou a pessoa diretamente, apenas sorriu e falou despretensiosamente, como se estivesse falando sozinho, porém dirigindo-se à pessoa.
– Eu estava observando essa decoração. Encantadora, eu diria. É quase como se a própria casa exercesse um fascínio sobre seus convidados, uma força quase... sobrenatural. – Então encarou bem nos olhos a pessoa a quem se dirigia. – Esse tipo de carisma é bem característico do Sr. Gray, não acha?









