Após 1.698 páginas, hoje também me sinto amigo de Lenu e ex-amante de Nino. Não sei se minha amizade com Lila duraria tantos anos. Sempre fui assim, mas a cada ano que passa tenho optado por relações cada vez mais leves. Excesso só se for de risadas e momentos agradáveis. Como cantou Mary J. Blige, “no more drama in my life”. Grande parte das minhas melhores amigas me recomendaram a tetralogia napolitana. Admito que não tive o mesmo entusiasmo e avidez que elas, mas essas leituras foram um ponto de virada na minha quarentena, pontuaram uma rotina de prazer em meio a tantas leituras obrigatórias de trabalho. Minhas companheiras de madrugadas a fio, viagens, fins de tarde e dos primeiros raios de sol colorindo os prédios que minha vista alcança. Esquecer do Brasil, mesmo que por meio dessas páginas, foi um alívio. A questão da identidade misteriosa da autora também me fascinou. Em tempo de tanto personalismo nas artes, é sempre um frescor conhecer alguém que se anula em detrimento de suas palavras... E cá estão algumas delas: “Nós estamos voando sobre uma bola de fogo. A parte que resfriou flutua sobre a lava. Sobre esta parte construimos prédios, pontes e estradas. De vez em quando a lava sai do Vesúvio ou então provoca um terremoto que destrói tudo. Há micróbios por todo lado que nos fazem adoecer e morrer. Há as guerras. Há uma miséria ao redor que nos torna todos ruins. A cada segundo pode acontecer alguma coisa que lhe fará sofrer de uma maneira que nunca haverá lágrimas suficientes. E você faz o quê? Um curso de teologia em que se esforça para entender o que é o Espírito Santo? Deixa pra lá, foi o Diabo que inventou o mundo, não o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Quer ver o fio de pérolas que Stefano me deu?”. #elenaferrante #aamigagenial #amigagenial #lamigageniale #ferrantefever #mybrilliantfriend #elenagreco #tetralogianapolitana #literatura https://www.instagram.com/p/CLk2B4AFOZw/?igshid=5a9akyvly1og








