Então, a história prossegue e no início dos anos 60, o positivismo foi derrubado e substituído pelo que se tem unanimemente chamado (excepto pelos especialistas da área) “filosofia da ciência pós-positivista”.
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...muitos que não são filósofos da ciência parecem acreditar que a filosofia da ciência contemporânea fornece fortes argumentos a favor de um relativismo radical sobre o conhecimento em geral e sobre o conhecimento científico em particular.
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Entretanto, não escrevo este trabalho meramente com o objectivo de fazer uma exegese mais estrita. O meu objectivo principal é analisar aqueles nossos contemporâneos que – em actos repetidos de fazer de seus desejos realidade – se têm apropriado de conclusões da filosofia da ciência colocando-as em favor de causas sociais e políticas, obviamente que estas apropriações não podem adaptar-se a estas causas. Feministas, apologistas religiosos (incluindo os “cientistas criacionistas”), contraculturalistas, neoconservadores, e outros curiosos “companheiros de viagem” pretenderam levar água vital para os seus moinhos, tirando proveito da incomensurabilidade e da sub-determinação das teorias científicas. A substituição de fatos e evidências por interesses subjectivos e perspectivas é – atrás apenas das campanhas políticas norte-americanas – a maior e mais perniciosa manifestação do anti intelectualismo da nossa época.
LAUDAN, Larry. Science and relativism Some key controversies in the philosophy of science (1990, p. VII; VIII; X)