"Nosso guia em Machu Picchu, um senhor muito distinto, contava que entre os incas, cada vez que uma pessoa nascia, os governantes lhe destinavam um pedaço de terra para viver e trabalhar. Quando essa pessoa morria, disse ele, a terra voltava para as mãos dos governantes. Não havia necessidade de passar aos filhos, porque estes também receberam sua terra quando nasceram. Portanto, sem a ideia de herança, não havia concentração excessiva de riqueza e nem desigualdade social. Provavelmente, o guia repetia essa história para os turistas incontáveis vezes, mas julguei ver uma sombra de melancolia em seu olhar. Também podia ser só impressão minha, depois que ele havia nos revelado que pagava 300 dólares de aluguel mensal em um quartinho na periferia e que sua família havia sido expulsa do campo quando ele tinha 12 anos. 'Já houve um tempo em que existia justiça e paz social na América Latina', ele completou. Com essa saudade do que não viveu, o guia encerrou nossa visita ao Templo do Sol e nos convidou a continuar o tour pela cidade perdida dos incas." (Lisa Yvje-Kantor, "Random mistakes", tradução minha) #leituradeviagem #leituradaviagem #machupicchu #peru #inca #1001falhasdocapitalismo #capitalismo (em Templor del Condor, Machu Picchu, Peru)













