#Repost @livrarialeodegaria • • • • • • Hoje é o aniversário de 130 anos de Leodegária de Jesus. Mulher, poeta, negra. Primeira mulher a publicar um livro em Goiás, “Côra de Lyrios”, de 1906, quando tinha 17 anos. Intelectual, professora, arrimo de família devido aos infortúnios, teve uma vida de luta para enfrentar a condição de ser mulher negra e erudita num mundo dominado pela mão racista do patriarcado. Sua trajetória de vida nos causa fascínio pelo silêncio que contorna o pouco que sabemos e o muito que, talvez, não há. Um pai que lhe dá a pena e o papel, uma mãe que lhe presenteia com uma máquina de costura, um amor juvenil, doído e irrealizado, o sonho de cursar Direito negado, o apelido que lhe caiu bem: Passarinho; a amizade de vida com Anica, mais tarde Cora Coralina, irmãs de nascimento, pois nasceram no mesmo mês de agosto, com uma diferença de 12 dias e com destinos irmãos nas dificuldades frente ao mundo, mas bem diferentes no que guardaram para desatar em poesia e colocar a vida no lugar certo. Se sabemos o quanto Cora Coralina represou e deixou deságuar em suas confissões de meias verdades, não escutamos, nos versos de Leodegária de Jesus, seus guardados e alegrias, seus papéis de circunstâncias, suas mágoas, seus sonhos. Essa figura admirável, que, passada a juventude, teve uma vida linear, rotineira e comum, com seu ofício de professora, seu gato Chiquito, com o que lhe restou da família, nos provoca pelo que não disse e nos faz escutar o silenciamento que até hoje ainda enreda e derruba muitas mulheres, muitas de nós. #leodegariadejesus #aniversario #CaldasNovas (em Biblioteca Pública Municipal Josino Bretas) https://www.instagram.com/p/B06LstInPCw/?igshid=cely1b2fo54a