“tira esse sapato quando for entrar. desafaça essa cara amarrada que você insiste em manter. deixe que eu bagunce o seu cabelo e nem pense em achar desculpas para ir embora. tira a minha roupa sem medo de pecar pelo excesso. para de gritar e de falar das suas qualidades. conta sobre os cachorros que você teve na infância ou sobre os castigos que a sua mãe te colocava. me fala da vida, cara. para de dar detalhes do seu trabalho e dos planos para o futuro. me fala que o meu cabelo está bagunçado ou reclama da unha que não está feita. tem tanta coisa pra gente desmanchar, né? vamos desconcertar. vamos sair do compasso. vamos dançar sem ter hora pra voltar. tira esse sapato e calça um chinelo. puxa o meu corpo em direção ao seu e deita comigo no tapete sem se preocupar com essa sua blusa careta. já viu que a previsão do tempo anunciou que amanhã é dia de calor? cola aqui em casa me chamando pra sair. antes, não se esqueça de vestir outra roupa. essa postura durona não combina com o seu sorriso quando estamos sozinhos. ainda que você tenha medo de amar, de arriscar ou de se envolver, agora é tarde demais. eu vou te levar pra pirar comigo. arruma a mala com o necessário. avisa a sua mãe que você só volta no domingo. chega de fazer tipinho. eu tô aqui pra você e sei que você tá vindo pra mim. tira esse sapato, essa máscara que nem não se importa e assuma que você tá super afim de se perder comigo.” autor: leonardo santaroli













