A jornalista e blogueira Lia Bock lançou o seu livro "Manual do Mimimi", no dia 17 de março de 2014, no Palácio das Artes.| Palestra assistida e debatida no Auditório Capadócio - ambiente virtual IMVU em 23/03/15.

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A jornalista e blogueira Lia Bock lançou o seu livro "Manual do Mimimi", no dia 17 de março de 2014, no Palácio das Artes.| Palestra assistida e debatida no Auditório Capadócio - ambiente virtual IMVU em 23/03/15.
Faz cara de bom moço, bom marido, mas não tem uma foto da mulher nas redes sociais. Diz que é muita invasão. Faz cara de apaixonado, mas vive de papinho com gatas no café. Diz que é trabalho. Paga de fiel, mas paquera na cara dura quando passa da meia noite no bar. Diz que o casamento tá em crise. Se apaixona na noite (no trabalho, no reencontro da escola, na reunião de pais), mas não consegue deixar a mulher. Diz que é amor. Compra flores, pede em namoro, mas na semana seguinte já tem cacho novo pendurado no whatsapp. Diz que é do jogo. Faz pose de solteiro, conta história da ex, mas em julho já pagou o réveillon pra dois. Diz que é incompreendido. Apanha da mulher e corre pra o consolo da amante. Apanha da amante e jura que seu lugar é ao lado da mulher. Querido bom moço de qualquer tipo ou pedigree, deus tá vendo e nós também!
Lia Bock
"Você acorda e pensa em como seria bom passar todos os sábados de manhã ao lado daquele gato. Seus corpos se reconhecem e se encaixam. Ele gosta do seu suspiro, dos seus seios. Você almoça e pensa em como seria bacana almoçar mais vezes regados a chamegos e vinho branco. Ele gosta do seu tempero, dos seus amigos. Ele gargalha e você pensa em como foi agraciada pela vida por ter alguém como ele por perto. Ele deixa um bilhete tosco e você pensa em, talvez, propor o repeteco hoje à noite. Ele compra os ingressos para o show e você pensa que poderia passar o resto dos seus dias com aquela pessoa. Você não responde as paqueras que pipocam no Facebook e pensa que, talvez, vocês estejam namorando, mas, diferente de outras vezes, isso não te incomoda. Afinal, é ele. Você liga, ele não atende. Você escreve, ele não responde. Você pergunta, só pra entender, e ele sugere que você saia com outras pessoas. Você desmonta. Ele desaparece."
Manual do Mi Mi Mi - Lia Bock
Leais, loucas e lisas
É impossível não amar as mulheres. A complexidade apaixonada. A objetividade sensual. Uma fofura que arranha… Musas choronas. Deusas mimadas. Com a mãozinha na cintura, dando bronca calada ou fingindo que nunca dói. Quem, se não elas, diz que está tudo bem engolindo o ódio? Quem, se não elas, se desespera e chora por causa de um sapato?
São invertidas, são lisas, tão doce quanto mentirosas. Leais e venenosas. São cínicas, todas gordas e facilmente contornáveis com um enlace de um abraço. São mudas quando querem gritar e gritam quando deveriam estar mudas. É fofo o jeito como se enfeiam ao se arrumar e é muito lindo o jeito como se embelezam ao desnudar. Como não amar?
Conturbadas e falantes, plenas de uma insegurança crônica. Parceiras sorrindo cúmplices pela primeira vez, ou gargalhando junto dez anos depois. Mas sempre loucas e sem nexo. Absolutamente irrecusáveis. Absurdamente contestáveis. E, muito provavelmente, irreparáveis.
L.B.
Amores que não - por Lia Bock
Do doce ao azedo. Do romance ao maldito azar que nos persegue
Sempre existe uma, duas ou dez pessoas no mundo que poderíamos ter amado. Gente pra quem olhamos de longe, depois de um tempo, e vemos que, não fosse algum porém do cotidiano, um desencontro qualquer (ou uma deusa qualquer), poderíamos ter conhecido melhor, entrelaçado as pernas, colado o nariz e brigado no carro. De longe, com uma melancolia boa percebemos que, talvez, esse poderia ter sido um romance bem escrito – mesmo que fosse por apenas algumas páginas da vida. Você não quis, a pessoa não quis ou simplesmente não deu tempo... Mas algo ali mostra que, puxa, poderíamos ter mudado o rumo de nossas histórias, porque, sim, eu poderia ter te amado. Não arranca pedaço. Não remói. Apenas mostra que a vida é a gente quem faz e, não, desta vez não fizemos. Dá vontade de dizer: “Ei, eu poderia ter te amado!”. É até doce.
Mas, às vezes, essa mesma visão dói. Aquela história que poderia ter sido nossa é cortante, sangra a frustração e jorra arrependimento. Nada é mais dilacerante do que o arrependimento. Aquela vontade de voltar no tempo, aquele pesadelo constante de não conseguir explicar por que (por que, meu deus?!) não fiz diferente. E diante de nós, claro, saltita feliz um dos seres que poderíamos ter amado. Alguém com quem poderíamos ter dividido o cão, a barraca e os filhos. Sim, porque quando se trata de arrependimento nossa criatividade vai longe. É o mundo esfregando em nossa cara uma certa incompetência, ou o maldito azar que insiste em nos rodear. É azedo, custa a passar. Martela por dias entre os mais variados palavrões: “Caralho, eu poderia ter te amado!”.
(Lia Bock, no blog Eu lia, tu lias da revista TPM)
Se a pessoa é daquela que o canto do olho começa a tremer, pode ter certeza de que seria melhor ela ter ficado em casa! Porque, definitivamente, alguns hormônios não foram feitos para viver em sociedade.
Não foram.
Por Lia Bock, no Eu Lia, Tu Lias (Revista TPM)
Um “vem cá, minha nega” por mês para cada ser do sexo feminino e poderíamos decretar o fim do mimimi.
Pegue e faça, por Lia Bock
Você acorda e pensa em como seria bom passar todos os sábados de manhã ao lado daquele gato. Seus corpos se reconhecem e se encaixam. Ele gosta do seu suspiro, dos seus seios. Você almoça e pensa em como seria bacana almoçar mais vezes regados a chamegos e vinho branco. Ele gosta do seu tempero, dos seus amigos. Ele gargalha e você pensa em como foi agraciada pela vida por ter alguém como ele por perto. Ele deixa um bilhete tosco e você pensa em, talvez, propor o repeteco hoje à noite. Ele compra os ingressos para o show e você pensa que poderia passar o resto dos seus dias com aquela pessoa. Você não responde as paqueras que pipocam no Facebook e pensa que, talvez, vocês estejam namorando, mas, diferente de outras vezes, isso não te incomoda. Afinal, é ele. Você liga, ele não atende. Você escreve, ele não responde. Você pergunta, só pra entender, e ele sugere que você saia com outras pessoas. Você desmonta. Ele desaparece.
Lia Bock