Capítulo Seis - Last Kiss
“Então eu verei sua vida em fotos, assim como eu observava você dormir
E eu sinto você me esquecer como eu costumava sentir você respirar
E eu continuarei a sair com os nossos velhos amigos
Só para perguntar como você está
Espero que esteja ótimo onde você está”
– É sério, Mel. Vamos sair! Faz seis meses que ele foi embora e não deu notícias. Chega de ficar trancada nessa casa. – Micael estava me enchendo o saco para sair com ele e nossa velha turma nesse sábado à noite. Mas eu queria ficar em casa deitada, vendo um filme chato e dormir, como sempre.
– Eu não quero ir, Micael. É sério! Me deixa ficar sozinha! – Me encolhi na cama e fechei os olhos.
Ele sabia por que eu não queria ir.
– Você não quer ir porque metade da nossa velha turma é amiga do Chay também, não é? – Era exatamente isso.
– Sim. Eu não quero saber de nada dele. Porque ele está feliz sem mim, e eu não preciso que ninguém jogue isso na minha cara.
Não queria saber nada de Chay porque eu sabia que ele estava feliz, provavelmente com Fabíola. Ele tinha me esquecido. Fácil. Tinha me esquecido incrivelmente rápido. E isso me magoava demais.
Nesses seis meses eu trabalhava e ia para casa de Sophia e Micael. Tanto para jantar com eles, tanto para ver a minha cunhada grávida. Eu não sabia quem estava mais feliz, Micael ou ela. Mas, quando chegava a noite, quando a solidão batia, quando eu olhava para aquela casa tão vazia e ao mesmo tempo tão repleta de lembranças de mim com Chay... Eu simplesmente desmoronava. Eu não conseguia acreditar que tudo tinha acabado, assim, tão de repente.
Não acreditava que para ele o que vivemos não tinha a mesma importância do que tinha pra mim. Eu sentia, sentia dentro de mim, ele me esquecer mais e mais a cada maldito dia que passava.
– Mel, olha pra mim. – Micael sentou ao meu lado na cama e me fez olhar para ele. Ele estava sério, muito sério. Era difícil vê-lo assim. Eu sabia que ele estava mais do que preocupado comigo. Suspirei e o obedeci.
– Estou olhando. Fale.
–Você é minha melhor amiga e eu me preocupo pra caralho contigo. Eu sei o quanto você o ama, okay? Mas sei também que você pode superar isso. Mel, você nunca precisou de ninguém pra viver. Eu sei que é difícil, mas viva sua vida e enterre Chay de uma vez por todas. Não vale a pena ficar sofrendo por um cara que não se importa, não vale a pena ficar sofrendo por um cara que está feliz com outra. É a sua vida aqui, e eu vejo você desistindo dela a cada dia que passa. Chay não vai voltar, Mel. Sua vida precisa voltar a ser como antes, você precisa ser feliz, está me entendendo? Eu te amo e quero você bem. E hoje é a ultima vez que eu vou te ver nesse estado, estamos entendidos?
As lágrimas começaram a cair rapidamente. Eu sabia que Chay não voltaria, mas, sabe? No fundo a gente sempre tem esperança. Micael estava certo, eu precisava recuperar a minha vida, a minha felicidade. Tinham pessoas que se preocupavam comigo e meu trabalho. Chay não era tudo. Eu tinha outros motivos para viver e ser feliz. E eu seria.
– Certo. – Levantei da cama e enxuguei as lágrimas com as costas das mãos. – Vamos sair, então. – E só pelo sorriso que Micael deu ao me ouvir dizer isso, eu sabia que havia feito a escolha certa.
(...)
– Eu sei, o tempo passa... Eu nunca pensei que você e Chay fossem terminar, Mel. E, no entanto... Já faz meses, quem diria. – Eu vi Micael me olhar temeroso sobre aquele comentário de Rafaela, uma amiga de faculdade minha e de Chay, mais amiga dele do que minha, mas sorri. Ela não iria conseguir me fazer mal.
– Pra você ver, Rafaela... O mundo é cheio de surpresas. – Sorri e bebi mais do meu vinho. Ela me olhou decepcionada, acho que esperava que eu saísse dali chorando, de certo. Devo admitir que até me impressionei comigo mesma por ter respondido a altura. Bem, acho que estava superando.
– Chay parece feliz com sua nova namorada, na verdade, há boatos que Fabíola vai lhe dar um filho.
– Fabíola está grávida? – Uma das outras mulheres a mesa exclamou com evidente surpresa. Eu estava em choque.
Fabíola grávida? Ela daria um filho a Chay. Um filho que eu queria tanto, mas tanto, que fosse meu. Um filho que eu tinha sonhado noites e noites e que eu nunca teria. Nunca. Ah, porque a vida tinha que ser assim?
A vontade de chorar veio com toda força e eu não me importava mais com o que Rafaela ou qualquer um daquela mesa pensasse, eu só precisava sair dali, urgente.
Levantei-me, peguei minha bolsa e me despedi de todos. Micael insistiu em me levar para casa, mas eu não queria estragar a noite de ninguém. Ele estava tão bem lá com Sophia, ambos exibindo seu filho totalmente realizadoa. Ele já havia me ajudado muito e eu precisava caminhar para espairecer a cabeça um pouco.
Decidi percorrer todo o trajeto andando mesmo. Era relativamente perto e eu não estava com nenhuma pressa em chegar a minha casa mesmo.
Então, Chay seria pai. Será que ele estava feliz? Deveria estar. Eu sabia que ele queria ter filhos. Só que agora, não seria comigo.
Bem, as coisas mudam, certo?
Uma chuva leve começou a cair e o vento ficou mais forte, num banco da praça pela qual eu passava, um casal estava abraçado, rindo de tudo e não se importando com a mudança repentina no clima.
Senti o cheiro da chuva, senti o vento batendo em meus cabelos e suspirei. Nem tudo na vida é como a gente quer, nem tudo sai como o planejado. Mas eu sabia que ainda seria feliz. Eu ainda tinha minha família, amigos e um monte de motivos para sorrir. Seria feliz, muito. Só que não mais ao lado de Chay.
O que tem que acontecer, acontece. Sempre acreditei muito nisso. E bem, se era pra ser assim, se era pra seguirmos separados... Assim seria. Por mais que eu sentisse falta. Por mais que nunca mais fosse a mesma coisa.
E sabe? Eu torcia pra que estivesse ótimo onde quer que Chay esteja e que ele fosse muito, muito feliz. Porque era isso que eu ia ser agora. Feliz. Sem ele, mas feliz.










