FIRST. he touches you and you light on fire. your wrist blazes where his fingers meet your skin. the burns don’t show, but it’s hard to breathe with ash in your lungs. it’s so hard to breathe. you’re suffocating daily.
I. O primeiro toque do qual Lorcan se lembrava não foi algo romântico ou digno de um conto de fada, mas sim um gesto de arrogância do próprio Becker, um toque no braço de Matthieu para pará-lo de pedir uma bebida e pedir ele mesmo uma para o homem no dia em que haviam se conhecido. Um simples toque que não causou tantos danos a mente de Lorcan, pelo menos não tantos quanto a primeira vez em que Matthieu o tocara. Porque de alguma forma no momento em que Matthieu lhe ofereceu a mão para um aperto todas as palavras pareceram escapar da mente de Lorcan, um simples aperto de mão e todo seu corpo parecia eletrizado. Naquele momento ele sabia que ele estava ferrado. Porque com um aperto de mão Matthieu tinha o reduzido a uma criatura acéfala ofegante e sedenta por mais, mesmo que temesse que uma vez que conseguisse o que realmente queria nunca mais conseguiria ver graça em qualquer outro toque. Um risco que ele estava morrendo para correr.
SECOND. it hurts to watch him. he shines. he’s brighter than the sun, he’s too beautiful for your eyes. it’s hard to look at him. it’s even harder to look away from him. you’re going blind.
II. Lorcan achava extremamente irritante o efeito que Matthieu tinha sob ele, o modo como mesmo quando não estavam juntos Lorcan ainda parecia orbitar em torno do marido, mesmo quando o estúdio estava repleto de modelos sem roupas Lorcan só conseguia suspirar e pensar o quanto todos eles pareciam entediantes se comparados com um simples sorriso no rosto do Oppenheimer, talvez fosse o fato de ser perdidamente apaixonado pelo loiro, pouco importava para ele, sua única verdade absoluta era como Matthieu era como uma obra de arte que valia a pena ser admirada. Lorcan sempre achara que era o sol, que todos giravam em torno dele, ele estava errado. Matthieu era o sol e ele era Mercúrio, queimando por dentro pela proximidade.
THIRD. your ears are tuned to his voice. you could pick him out in a sea of thousands. his voice makes pretty singers who sing pretty songs sound dull. his voice makes everything else sound ugly.
III. O primeiro sinal de que Lorcan Pyotr Becker estava apaixonado de forma irreversível por Matthieu Oppenheimer foi seu repentino desinteresse por qualquer voz que não fosse a de Matt. Todas pareciam, de forma inegável, fracas, abafadas, como se não tivessem vida suficiente em seus tons e trejeitos únicos. Lorcan costumava amar a risada de Cath e sempre sorrir toda vez que Adaline enrolava sua língua para falar seu nome do meio, ele costumava adorar tantas palavras e vozes e risadas...Até Matthieu rir e de repente sua risada era a única melódica suficiente para falhar uma batida do coração de Lorcan, o jeito como o outro falava seu nome como uma advertência o fazia rir toda vez e cada uma das vezes que Matthieu dizia algo em um tom mais baixo Lorcan podia jurar que ele sabia exatamente cada pensamento sujo que passava em sua mente. Pela primeira vez na vida o Becker se sentia como um pecador ouvindo a voz do divino e a parte mais insana era que o divino chamava seu nome de tempos em tempos.
FOURTH. the color of his eyes is blue enough to drown in. he is turning you into a clichéd love-wrecked being. you’re drowning, always sinking. down, down, down.
IV. Sempre chovia no verão de Munique. Lorcan lembrava-se perfeitamente de que essas palavras haviam sido as últimas a saírem de sua boca em direção a Cath enquanto entravam em um bar nos arredores da cobertura que dividiam, o bar estava lotado e ainda sim os olhos de Lorcan haviam sido imediatamente atraídos para uma pessoa específica e Cath tinha sido deixada para trás no bar sem nenhuma cerimônia ou despedida da parte do colega de casa, ela entenderia, ele sabia disso. Conhecer Matthieu parecia destino, imediatamente houve uma conexão, mesmo que Lorcan houvesse sido extremamente pretensioso em sua primeira aproximação, mas a conversa fluía entre ambos e não demorou para que números fossem trocados, ainda que por alguma razão, que escapava a mente do Becker naquele momento, ele precisara voltar para casa mais cedo naquela noite. Era estranho, no entanto as palavras que dissera a Cath haviam ficado gravadas em sua mente mais do que qualquer outra coisa, por um mês ele tentou lembrar a exata cor dos olhos do loiro que lhe roubara a atenção naquela noite. Era estúpido, ele sabia disso, mas era incrível como ele conseguia lembrar-se de cada detalhe do rosto alheio mesmo na péssima iluminação do bar e ainda sim a cor exata dos olhos de Matthieu. Vê-lo novamente passara de desejo a necessidade, afinal ele precisava saber qual era a maldita cor dos olhos do loiro ou pelo menos era o que dissera a Cath enquanto colocava seu tênis para ir ao encontro do Oppenheimer e quando finalmente teve seu reencontro face-a-face tudo que Lorcan pode fazer fora sorrir de forma radiante e ao ser perguntando porque ele estava tão animado a resposta foi simples: “Seus olhos. Eu não lembrava a cor deles, mas eu entendo agora...A luz do bar não fazia jus a beleza deles.” E pelas próximas semanas Lorcan continuara a pensar nos olhos de Matthieu, não porque não lembrava deles, mas porque lembrava até demais. O bastante para se perguntar qual era pior não dormir por tentar lembrar algo ou não dormir por conta das borboletas em seu estomago causadas pelo par de olhos verdes amarelados. No fim das contas ele decidira que a segunda sempre seria a melhor opção. Para sempre.
FIFITH. you know him. you love him. through a thousand lifetimes, across millions of stars, you’d find him, you’d never leave him. you love him, till death do you part.
V. Ele chorou tanto em seu casamento que parecia que alguém muito próximo havia falecido, entretanto todas suas lágrimas eram de emoção, de amor. Amor pelo homem com quem escolhera passar o resto de sua vida, amor pelos seus amigos que estavam lá sorrindo, amor por sua família que o amava tanto e que amava Matthieu quase na mesma medida que ele amava o loiro, por tanto choro era que em todas as fotos de seu casamento Lorcan tinha lágrimas em seus olhos, os olhos avermelhados e um sorriso bobo em seu rosto, porque ele tinha chorado o casamento todo, mas ele também tinha sorriso durante toda a cerimônia e festa, porque finalmente ele poderia chamar Matthieu de marido e finalmente eles estavam juntos, completamente, não só em alma e corpo, mas diante Deus – mesmo que Lorcan não acreditasse na divindade queria ter certeza de que se ele existisse ele concordaria que Matthieu era seu – e da lei. Soava estúpido em voz alta, mas fazia total sentido em sua mente, especialmente enquanto dançava sua primeira valsa com Matthieu, seus braços apertando forte a figura do outro como se dependesse daquilo para lembrar-se que não era um sonho, sua cabeça estava levemente inclinada para baixo e sua boca continuava a fazer juras de amor ao seu marido – ele finalmente poderia chama-lo assim para o resto da vida e tinha certeza que não enjoaria de como soava – e mesmo com a voz rouca e as lágrima que corriam de seus olhos Lorcan não parava de dizer quanto amava o loiro em seus braços. Porque Lorcan o amava e não importava o quantas vezes dizia parecia que nunca seriam vezes suficientes para expressar o quanto amava-o.
( SIXTH. he loves you, too. )
VI. A primeira vez que Matthieu havia dito ‘eu te amo’ Lorcan apenas havia encarado o loiro por cinco minutos antes de dizer ‘Me desculpe, o que você disse?’ e então procedeu a explicar em uma voz um pouco mais alta do que o necessário e definitivamente mais aguda do que o normal como ele não estava evitando as palavras, mas ele estava tão surpreso que Matthieu poderia de fato amá-lo de volta que ele precisava ouvir de novo e quando finalmente Matthieu concordou em repetir as palavras um sorriso se abrira no rosto do Becker e ‘eu te amo’ foram as palavras mais ditas naquela noite enquanto Lorcan se certificava de que Matthieu seria quem gritaria seu nome naquela noite.