Desde o meu último relacionamento, muito do meu ser tem ido embora junto com aquele que também optou por tomar na vida um rumo diferente. Sinto, então, como se toda a minha capacidade intelectual, em um ato de desespero extremo, tivesse desprendido-se de mim para o vazio, rumo a aniquilação. Não me reconheço apta a abrir meu coração com a maestria que outrora se fazia. Convizinha-se de que preciso de muito esforço para poemizar o que antes já era arte por si só. Mas a verdade é que no meio desse processo de re-artistificação de nós mesmos, ainda que não queiramos que nos surja alguém para aquarelarnos em suas próprias telas de dimensões estéticas medonhas, sempre surgirá. O plano artístico se pauta nas contradições entre o real e o desejado. E o seu plano artístico é de me erotizar num romantismo como nunca se havia vivido outro. De repente. Eu tentei renunciar, até porque, não se aceita qualquer tipo de arte de qualquer artista sem antes ler suas qualificações prévias… Mas a verdade é que as renúncias só denunciam ainda mais o desejo de despir a alma frente ao novo poder-ser inspiração de outro alguém. Não te renuncio porque te quero poemizar em cada curva e entrelinha desse corpo, não só afim de ressignificar a poesia que se perdeu com um coração partido, mas sim, afim de reentender a sensação de ser por puro prazer de amar.
LovinPieces














