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Historiador revela últimas horas de Lorca e local da sepultura
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Um historiador de Granada, diz ter reconstruído, depois de três anos de investigação, as últimas treze horas do poeta García Lorca, fizuilado pelas tropas franquistas no início da Guerra Civil espanhola. E revelou o local onde o corpo foi sepultado.
Nas escavações de 2009 em Alfacar não foram encontrados corpos (Pepe Marin/Reuters)
Miguel Caballero Pérez passo a pente fino os arquivios militares e policiais e, no livro "As últimas 13 horas de García Lorca", identifica os polícias e os voluntários – seis, ao todo – que procederam ao fuzilamento do autor e de outros dois prisioneiros anarquistas, em Agosto de 1936. Atribui a morte de Lorca à rivalidade política e empresarial das famílias mais ricas de Granada. "Decidi procurar nos arquivos em vez de ouvir mais testemunhos orais porque é nestes que se encontra a confusão - tantas testemunhas inventam dados", disse Caballero, citado pelo jornal The Guardian, explicando que a sua ideia inicial era verificar a informação recolhida na década de 1960 pelo jornalista Eduardo Molina Fajardo, que pertencia à Falange, o partido que apoiava Franco. "Devido às suas convicção políticas, Fajardo teve acesso a pessoas que lhe contaram a verdade. Os arquivos contém esses dados, pelo que devemos assumir que estava certo quando deu a localização da sepultura de Lorca", disse o historiador, citado pela BBC. O local - uma vala que já estava aberta (um furo feito por alguém à procura de água) perto de uma quinta chamada Cortijo de Gazpacho, entre Viznar e Alfacar. O local fica perto do sítio identificado por outro historiador, Ian Gibson, em 1971 e onde se realizaram escavações em 2009 mas não foram encontradas ossadas. O historiador contou que, com um especialista, foi ao local à procura de água utilizando os métodos disponíveis no tempo de Lorca. Detectou um curso de água. "É razoável, portanto, supor que alguém tenha aberto um buraco naquele local". E um arqueólogo, Javier Navarro – que já identificou várias valas comuns da Guerra Civil –, identificou um espaço no subsolo que pode indicar uma sepultura. "Tem só que escavar 40 centímetros para saber se a terra foi ou não mexida mais para baixo", explicou Navarro. Aos homens que formaram o poletão de fuzilamento foram dadas 500 pesetas. "Chamo-lhes executores e não assassinos porque enquanto alguns eram voluntários, outros eram polícias de carreira que arriscavam ser eles próprios fuzilados se recusassem fazer o trabalho", disse o autor do livro. Um desses polícias disse, segundo os registos encontrados pelo historiador nos arquivos, que estava a "dar em doido" com aquele trabalho - esteve em vários poletões de fuzilamento no início da guerra. O comandante do poletão, um polícia de 53 anos chamado Mariano Ajenjo, e um voluntário, Antonio Benavides – familiar da primeira mulher de Lorca – sabiam quem estavam a fuzilar. "Dei um tiro naquela cabeça gorda", relatou Benavides posteriormente.
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