A Lua Rosa (Poesia de Quarentena)
A mensagem mais bela,
Aquela do Luís de Sttau Monteiro,
- É preciso lutar por ela
Até ao momento derradeiro.
Sorri a mesma lua
Que sorriu a Hipátia de Alexandria,
E sussurra à mesma rua
A promessa de um novo dia.
Primeira lua cheia da Primavera
Lembra conto de fadas,
Socorre as crianças maltratadas
Como Alberto Caeiro dissera.
É relógio, é calendário,
Com as marés é pontual:
Hoje deu um passo lendário
Ao brilhar sem igual.
Como Cecília [Meireles] tem fases, mas é amiga
E em perfumes se evola
“Que linda eras, o luar que o diga!”
Já canta [António Nobre] a eterna escola.
Cenário de uma peça
Dispensa qualquer prece
Pois como já dizia Eça
Diante dela, o verso frouxo parece.
Alvo da hegemónica disputa
Originou a selenografia
E foi hoje na cidade diminuta
que se fez fotografia.
Pontual, brilha,
Mas mais intensamente,
E embora do acaso seja filha,
A sua luz em minha pele o desmente.
Alumia o sonho e a insónia,
O pesadelo e o escritor,
Alumia a alma idónea,
Alumia a ânsia e a dor.
Já irrompe o som catártico
- Clair de Lune magistral,
Como Einaudi no Ártico,
Como vitral na catedral!
Super Lua,
A universal linguagem,
É minha, é tua,
É a nossa coragem.
A Lua Rosa,
A mais especial do ano,
Faz da paisagem prosa
E do ser, triste arcadiano.
“- Felizmente Há Luar!”
08/04/2020 - 01h46
- Iva Leão
Monumento de Penshaw às 6h30 (hora local) desta quarta-feira, em Sunderland, Inglaterra