Além do arco-irís
Todas, as vezes, que parei para pensar nele, imaginava uma coisa diferente toda vez, sempre me senti o próprio arco-íris, até nos momentos ruins, em que só quero morrer, sumir do mundo, desaparecer. Em boa parte por ter nascido de certa forma diferente das demais pessoas, por sentir, ouvir e ver coisas. Em boa parte das vezes , a arte me salvou, as plantas, os animais e a minha mente, o meu mundo interior, muitas vezes ele me basta. O que quero dizer? Que eu me isolo, eu me fecho por todas as vezes que já fui machucada, julgada ou ouvi coisas horríveis, mesmo assim quero retratar coisas belas, além de que eu busco coisas assim geralmente e as desenho também, as vezes a altero. Eu quero tocar as pessoas e as sensibilizar, não importa como elas são por dentro, se o lado escuro domina mais que o luminoso, todas em algum momento são tocadas. Então não é um gigante texto, talvez aumente ao decorrer do que eu estou a escrever, mas também talvez, eu acabe sendo o arco-íris, e sendo aquilo que sempre procurei aquilo que tento passar, mesmo com todos os meus desejos, todas as crises, todos os milhares de dias ruins, todas as vezes que eu não vejo motivos pra continuar nesse mundo que só anda para trás, todas as vezes que me derrubam, todas as vezes que eu não quero levantar, todas as vezes que eu não tenho escolha pra levantar, todas as vezes que já chorei, todas as vezes que eu sorri. Para tudo em cada pedacinho meu e da minha vida até aqui, quem pode me dizer que eu não sou exatamente aquilo que eu procurei? Posso não ser cientificamente o arco-íris, trouxe esse exemplo, porque sempre depois de um dia feio, de chuvas, tempestades, a beleza do arco-íris vem, todos sonham com o final dele, e acho que posso dizer que nós em um conjunto somos o final dele, quando trazemos sonhos, quando fazemos por amor, quando mesmo querendo sumir, morrer e nos dias mais escuros, todos de sua maneira. Brilhamos no final, fazendo que isso seja o real foco. Pois nos faz vivos, nos faz fortes. Podemos tentar desistir de tudo, do amor, das pessoas, para mim é difícil desistir das essências de certos seres e eu não sei explicar porque, o fato é que pode querer acabar com tudo. Porém não pode acabar com o que te move. Isso me move. A arte me salvou todas, as vezes, me salvou com o olhar, me salvou com o mundo rico em minha mente, que meu excesso de sensibilidade me proporciona, não importa se eu não me ame, nem que esteja com o corpo bugado, essa sou eu. Quando ninguém acreditou em mim, eu venci. Quando não esperavam nada de mim, eu surpreendi. Quando me usaram, e as lembranças disso me fere, não me perdoo, eu me mantive de pé. Quando eu achei e as vezes ainda acho que não posso mais suportar tanta dor, uma armadura me protege, mesmo que eu sinta tudo e caia, a muralha ainda está entre mim e o mundo. Quando acharam que eu por ser mulher não tinha o talento que dizem que só o homem tem, a sensibilidade para inovar para sentir, provo mostrando e vendo a reação das pessoas, frente a meus trabalhos, a minha escrita, mesmo que eu não ache tão incrível, que há gente muito melhor, eu amo fazer isso, me toca, me emociona, não importa o quanto eu ache que sou magoada no mundo, esse momento, esses momentos sempre valerão a pena. Quando eu falo um monte de bobagens e conhecimentos que eu gosto de ler e aprender, recebendo aqueles olhares de que parece que eu falei um bobagem,me fecho no meu mundo, precisando ouvir que não tento o bastante, nesses momentos, eu realmente deixo a depressão que não trato dominar, como se não houvesse nada para me agarrar, como se estivesse pronta a morrer. Mas Miguel, geralmente não deixa, não falo do anjo, mas não é o ponto, ele cuida de mim até que eu volte, muitas das que ouço já não tem nome, já não lembram, ou não parece mais fazer diferença, ou é a minha interpretação errada, vou chamar ela de Eurus, me ajuda com as soluções para minhas criações, ou me ajuda assim como meus pais a avaliar e melhorar, ela entende mais que eles. É um trabalho continuo, e eu tenho dito mais dias ruins que bons, posso dizer que eles, minha arte e meus amigos virtuais tenham em parte contribuído para os dias bons, mesmo as vezes cansados de como cada crise e queda me derruba, pela minha falta de cuidado comigo. E eu valorizo isso, assim como a minha professora que tem me apoiado muito.
Mesmo com tudo isso eu não consigo fazer a vontade de ir embora, sumir, acabar, e não temo o dia que eu conseguirei vencer a aversão a dor. Mas eu gostaria de agradecer, por todos os minutos gastos, por ligarem mesmo quando eu mesma não ligo, mesmo que eu ache que não é importante, me desculpem pela maioria dos dias ruins, eu sou assim. Eu não tenho esperanças de amor pra mim, sendo a exceção da regra que eu ainda acredito, mesmo sem saber de onde vem tanta esperança na minha escuridão, porque o céu estrelado de meu palácio mental brilham tanto com lembranças boas e ruins a fácil acesso. Vocês todos são o fim do meus arco-íris,
Todos tem um assim, só precisam ver. Por favor vejam, até eu desse meu jeito consigo ver. Vocês que podem se parecidos, iguais ou opostos também podem. Só abram os olhos para tudo que não querem perder, mesmo que as vezes pareça a única coisa que tentam. Apenas, olhe, as vezes olhar é o suficiente, para mais um dia bom, talvez não o dia todo, talvez um pedaço dele seja ruim e te derrubou um bom tempo e voltou a ficar bom. Só aproveite os dias bons um pouco.
Com amor, Diurna.












