28. Muse A is Muse B’s guardian angel and they fall in love but can’t be together.
O maior problema das coisas das coisas que você não deveria conhecer, é quando você conhece. Após sua vida cair em desgraça pela segunda vez, não teve forças o suficiente para se defender de Kaadel, porém sua alma teve. Quando Kali era um demônio solitário, era solitária em seus próprios olhos negros, mas quando Kaadel a manipulava por inteira, era torturada. Facadas em sua alma cega, essa era a descrição perfeita. Sua alma lutava contra, ela tinha força suficiente para duas de Kali, ao contrário do que a menina aceitava, ela não queria aceitar. Resolveu então trocar seus poderes pelas asas de um anjo caído, a única maneira sem sacrifícios e tragédias de se livrar de parte de seu tormento. Mas as asas de um anjo que despencou do paraíso eram quebradas e cobertas da poeira do que restou de casa. A amargura se misturava com a de Kali, ainda em luto, e não sabia separar.
Com algo tão poderoso vem uma enorme responsabilidade, dizia o clichê. O anjo que tornou-se um demônio puro estava sendo caçado por Kaadel, com a mente cheia de novos planos e maldades e, Kali, precisou encontrar um motivo para as asas não apodrecerem de suas costas. Ninguém que Kali não quisesse poderia as ver abertas ou recolhidas, ou encostar nelas. Em um bar, encontrou um garoto com uma cara arrogante e fechada, que tinha a impressão de já ter conhecido. Não, a familiaridade não era essa. Kali o protegeria da morte que o rondava, mas ele era teimoso, e não bastava conhecer Kali. Ele queria saber o por que de Kali também ser tão teimosa, e o que havia naquela situação que os aproximava tanto.
— O meu anjo é um demônio? — O garoto revirou os olhos, irritado, e se afastou grosseiramente. — Eu não preciso que alguém como você cuide de mim.
— Vai esperar que as minhas asas apodreçam para morrer logo?
— Eu não me importo, não vou deixar que ninguém me machuque.
— Então por que eu continuo presa a você?
— Você que me escolheu, a culpa não é minha.
— Você não entendeu? Eu não sou a única. Você também tem que querer. — Nesse momento, ele olhou para trás com uma expressão de quem não gosta de ser contrariado. — Se eu for, nós dois morremos.
— Se a minha vida vai ficar mais fácil com você dentro, então pode ficar.
— Você precisa que um demônio seja seu anjo da guarda, Liam, que irônico. O que você fez para merecer isso? — A voz de Kali tornou-se provocadora. O garoto não era o único irritado com os acontecimentos.
— Eu quis você. Feliz agora? — A aproximação era que Kali era seu anjo da guarda. Não um anjo que guardava a vida, mas um anjo que guardava a morte. E para isso, ele precisava ver.
Eles a acharam. Os outros, os anjos caídos originais, diferentemente de Kali e agora, do antigo dono de suas asas. Kali estava deixando suas perturbações de lado e Liam convivendo com suas loucuras. E ambos queriam. E ambos gostavam. Porém, eles não podiam. Não era uma situação em que um sentimento livre tinha o direito de estar presente.
— Repete. — Kali procurou por volta sinal da morte ou de um dos monstros, com a voz raivosa de Liam. O buraco em forma de soco que ficou onde antes existia um armário de madeira intacto não passava a ideia de que uma repetição precisava ser ouvida para entenderem o motivo de tudo.
— Foi o que você ouviu. Eles reverteram. Eles cuidarão para que você não morra se eu devolver essas asas gloriosas e pegar meus poderes de possessão de volta dentro de seis meses. Se não conseguirmos, seu destino vai se completar e o Kaadel vai ter a guarda da porcaria da minha alma.
A morena apenas não se permitiu contar que para voltar as asas ao seu devido dono, aquele que as asas protegiam precisaria arrancá-las das costas de quem a possuía. E nas costas de Kali, elas protegiam Liam.
——————————————————————————————————
Bonus: Antes da visita dos anjos caídos.
— Anjos da guarda precisam se alimentar? — Liam chutou uma pilha de caixas, encontrando a garota sentada no chão atrás delas.
— Ei, eu só peguei as asas e ganhei você de brinde, o mínimo que tem que fazer é me alimentar.
— Você vai pagar as vinte pizzas.
— Eu já pago te protegendo da morte.
— Como eu vou saber? Você ainda é um demônio.
— Você não consegue ver essas coisas.
— Se eu me esforçar eu vejo os chifres. — Bateu com o dedo na cabeça de Kali, com força.
— Você só consegue ver as asas!
— Que são completamente inúteis. Elas não voam.
— Elas afastam os anjos da morte. — Suas asas, que estavam abertas pela provocação, se dobraram para junto do corpo de Kali, com a vigésima caixa de pizza no colo.
— Um deles estava te vendo tomar banho. Poderia ter chamado um monstro ou dado um curto no chuveiro.
— E você sabe disso porque também estava?
— Quer saber, cara? Eu arrumo um emprego e pago as pizzas.