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Macunaíma Joaquim Pedro de Andrade. 1969
Monument Praça Saens Peña, Rua Conde de Bonfim, 170 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-053, Brazil See in map
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"The most difficult thing is to make the world take on the meaning we need it to have."
— ANDRADE, Mário de. From "Macunaíma"
Macunaíma (1969) dir. Joaquim Pedro de Andrade
Explorando a obra Macunaíma...
Capítulo XI - A velha Ceiuci
No outro dia, o herói acordou muito constipado por ter dormido de roupa, já que tinha medo da Caruviana, a qual pega os indivíduos nús. Macunaíma ainda estava muito entusiasmado com o discurso da noite anterior, e por isso, esperou ansiosamente os quinze dias da doença. Entretanto, quando ficou bom era de manhã e como quem conta história de dia, cria rabo de cutia, resolveu esperar e ir caçar com os manos.
Chegando na mata, o herói e seus irmãos preparam a caça e iniciaram uma queimada para espantar os viados. Poreḿ, quando o fogaréu acabou, saíram apenas dois ratos chamuscados, os quais foram devorados por Macunaíma.
Ao chegar na pensão, o novo contador de histórias reuniu toda a vizinhança e contou que tinha caçado dois viados enormes e que até iria trazer um pouco para os companheiros, mas escorregou na esquina e os cachorros devoram a carne.
Os ouvintes ficaram desconfiados do causo relatado pelo herói e perguntaram aos seus irmãos se a história era verdade. Os manos, por sua vez, não conseguiam mentir, e contaram toda a verdade da caçada dislumbrante de seu irmão.
A vizinhança, os funcionários públicos e as cunhatãs foram ao quarto de Macunaíma e questionaram o herói sobre qual animal ele havia caçado. Macunaíma reafirmou que haviam sido dois viados, mas a resposta foi inútil pois todos já sabiam a verdade. Sem saída, o homem disse que havia mentido, fazendo, assim, com que todos fossem embora, calados.
No fim da tarde, desolado em seu quarto, o herói tocava uma melodia melancólica em sua flauta até que as lágrimas interromperam a cantoria. Macunaíma sentia saudade de Ci, a mãe do mato, sua eterna amada. Junto com seus manos, o homem relembrava a vida no lugar onde havia nascido, no qual a fauna era vasta, o calor era resolvido com o frescor das águas dos rios e o cansaço do trabalho era solucionado com a cantoria.
Logo, o amante de Ci cansou de chorar e lembrou de xingar a mãe do gigante, e por isso, transformou Jiguê em um telefone, Contudo, seu irmão ainda estava confuso com a mentira sobre a caçada e a a ligação não foi concluída. Macunaíma, então, lembrou que precisava se vingar dos seus manos por terem o desmascarado. Assim, no meio da noite, se escondeu no quarto da patroa, e depois foi correndo ao quarto de Maanape e Jiguê a fim de contar que havia visto um rastro fresco de tapir em frente à Bolsa de Mercadorias.
Os dois, por sua vez, ficaram entusiasmados com a possibilidade de caçar tal animal, o qual nunca havia sido capturado na região, e logo correram para procurar o tapir. Era cedo e todos os trabalhadores estavam frenéticos nas ruas de São Paulo. Maanape e Jiguê procuravam por todos os lados, mas não achavam nada, e quando questionavam o irmão, Macunaíma começava a pronunciar palavras estranhas.
A caça repercutiu por todo o local, e de repente, todos estavam procurando o animal. Sem obter resultados, os comerciantes locais ficaram irados com o herói, o qual, por fim, disse que tinha rastro de tapir, e que naquele momento, já não tinha mais. Todos ficaram extremamente revoltados por terem perdido o dia de trabalho em uma caça inútil, e um estudante, representando os trabalhadores, subiu em um banco e começou a incitar o linxamento de Macunaíma.
No meio da multidão, o herói avistou um homem branco, alto e loiro, e ficou abismado com tamanha beleza. Irritado com a sua aparência, o amante de Ci bateu no grilo, o qual pronunciou palavras estrangeiras e, acompanhado de policiais, prendeu Macunaíma. Para a sorte do irmão de Maanape e Jiguê, uma testemunha contou a um vendedor de frutas a situação, e esse, compadecido com a situação de Macunaíma, contou tudo aos policiais. Entretanto, os guardas estrangeiros não entendiam nada, e a população começou a gritar pela liberdade do herói. Aproveitando a confusão, o amante de Ci embarcou em um bonde e foi visitar o gigante.
Enquanto o herói aproximava-se, Venceslau Pietro Pietra refrescava-se com sua família do lado de fora de casa, pois a produção da pimenta gerou muito calor na residência. No caminho, Macunaíma encontrou o Chuvisco, o qual duvidou que o homem conseguiria assustar o gigante. A fim de provar o contrário, o homem foi até perto da família de Venceslau e começou a vomitar palavrões, mas o ladrão da muiraquitã não se importou e até pediu para sua esposa guardar as novas palavras e apresentar para as suas filhas. Chuvisco, por sua vez, queria provar que podia assustar a família, e então, provocou uma grande neblina que fez o gigante sair do jardim e voltar para casa.
Muito contrariado, Macunaíma voltou para casa e resolveu pescar, contudo não possuía anzol de verdade, e avistando um inglês pescando, armou um plano com Maanape. O herói se transformou em aimará, com o objetivo de ser pescado pelo inglês e conseguir roubar o anzol, e depois Maanape pediu um peixe para o desconhecido, especialmente seu próprio irmão. Todavia, o plano não deu certo, pois o inglês tirou o anzol da boca do aimará, mas determinado a obter êxito no plano, se transformou em piranha e conseguir roubar o anzol.
No outro dia, pronto para a pescaria, Macunaíma saiu para pescar no Tietê, onde encontrou Ceiuci, a mulher do gigante. A mulher conseguiu prender o herói, depois de atacá-lo com marimbondos e formigas, e o levou embrulhado para casa. Quando chegou no local, foi preparar o fogo para cozinhá-lo, e enquanto isso sua filha mais nova levou Macunaíma ao seu quarto e os dois brincaram muito, até que Ceiuci percebeu e exigiu que sua filha lhe devolvesse seu pato. Para não ser capturado, o herói deu dinheiro a mulher e respondeu algumas charadas para sua filha, podendo, assim, fugir do local.
Ao fugir do local, o amante de Ci embarcou em um cavalo e seguiu viagem, mas quando parou para apreciar o resto do deus Marte, ouviu Ceiuci chegando, e então, galopou até a Argentina, onde se escondeu com alguns padres. Para fugir da gulosa, o herói se escondeu com uma sucuri, a qual planejava comer o herói com Ceiuci, e encontrou Maria Pereira Cunhã, uma portuguesa que fugia dos holandeses. Galopou infinitamente por todo o Brasil, até encontrar seu amigo tuiuiú que se transformou em um avião e o levou para casa.
Quando chegou na pensão, contou o causo para os seus manos, e Maanape relatou todas as atitudes de Ceiuci à polícia, fazendo com que a mulher fosse presa. Porém, como o gigante era muito influente, a gulosa logo foi solta. Enquanto isso, a filha mais nova de Venceslau, expulsa de casa, pairava no céu.
Que capítulo foi esse, pessoal?
Vimos um lado mais sensível do nosso querido herói sem caráter, mas logo ele voltou à sua personalidade travessa e aprontou TODAS! Aliás, acho que Macunaíma está brincando com fogo nas suas trapaças com o gigante Venceslau e sua mulher, a Ceiuci. Vocês também acham que essa história ainda vai dar muito pano pra manga? Contem tudo aqui nos comentários. Nos vemos no próximo capítulo!
-XOXO, leitoras do blog <3
Macunaíma (1969) dir. Joaquim Pedro de Andrade
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